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Juros futuros com prazo longo sobem diante da anulação do impeachment

O mercado de juros teve uma segunda-feira de forte volatilidade, com disparada das taxas futuras, especialmente daquelas com prazos mais longos, em meio a um volume de negócios que pode terminar como o mais forte em dois meses.

As oscilações mais amplas refletiram ajustes de investidores à informação de que o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), decidiu anular a sessão de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A notícia colocou em xeque a possibilidade de troca de governo, causando forte estresse nos mercados financeiros domésticos.

Passada a pressão inicial, o mercado reajustou preços e aliviou as ordens de compras. Aos poucos, agentes financeiros passaram a se concentrar em avaliações de que a decisão de Maranhão não se sustentará e será revertida. O foco se volta agora para o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Hoje, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) relatou que Renan avaliou a decisão de Maranhão como "ilegal e intempestiva". De acordo com o senador do Rede, o presidente do Senado está convencido e dará prosseguimento ao processo de impeachment da presidente Dilma. Ainda segundo Randolfe, Renan considera que não cabe judicializar a decisão.

Para o estrategista da Brasif Gestão Henrique de la Rocque, a expectativa de reversão da decisão de Maranhão amparou o alívio nos preços ao longo da tarde. No entanto, De la Rocque ressalva que a alta da volatilidade vai limitar posicionamentos adicionais a favor da renda fixa.

Ao fim da negociação normal, às 16h, o DI janeiro de 2021, mais associado à percepção de risco de longo prazo, subia a 12,700% ao ano, ante 12,580% no ajuste anterior. Na máxima, a taxa foi a 13,150%, na maior alta desde 23 de setembro de 2015.

O DI janeiro de 2018 ia a 12,880%, frente a 12,800% no último ajuste. O DI janeiro de 2017 avançava a 13,700%, ante 13,675% no ajuste de sexta-feira. O volume de negócios acelerou no fim da manhã. O número médio de contratos negociados por minuto estava em 3.355,38, o maior desde 2 de março.

O cálculo do número médio de contratos negociados por minuto leva em conta a constância no ritmo de negociação ao longo do dia. Ou seja, mantido o passo atual, o volume de ativos negociados no mercado de DI até as 18h será o maior desde 2 de março. Mas o mercado costuma perder volume na parte da tarde, o que reduz o total transacionado ao fim da sessão.

Em termos absolutos, 1.415.970 contratos já foram transacionados - por ora, já o volume mais forte desde 27 de abril.

Embora considere que os mercados possam voltar aos níveis de preços de antes, De la Rocque acredita que a "agressividade" das posições vai ficar comprometida, por causa da "grande incerteza" sobre o processo do impeachment. "As dúvidas do mercado já existem mesmo com a expectativa de que o Temer [Michel Temer, vice-presidente da República] assuma. Agora voltamos alguns passos. As incertezas estão ainda mais básicas."

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