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Dólar fecha em alta com incerteza política e sobe 5,10% em maio

O dólar fechou o último pregão de maio em alta frente ao real, descolando do movimento no exterior, diante do aumento da preocupação com o cenário político local e com o avanço das investigações da operação Lava-Jato, um dia após a saída do segundo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, em menos de 20 dias do governo de Michel Temer. O temor dos investidores é de que novas denúncias envolvendo políticos da base aliada possam atrapalhar ou mesmo adiar a votação das medidas de ajuste fiscal, necessárias para conter a deterioração das contas públicas e retomar a confiança dos investidores.

O dólar comercial subiu 0,99%, encerrando a R$ 3,6141, maior patamar desde 7 de abril, ante da votação do impeachment da presidente Dilma Roussef no Congresso. Com isso, a moeda americana encerra o mês em alta de 5,10%, maior valorização desde setembro de 2015, quando a moeda americana subiu 9,34%, no auge da aversão a risco quando o país perdeu o grau de investimento.

No mercado futuro, o contrato para junho avançava 0,62% para R$ 3,595.

O dólar ganhou força após o fechamento da taxa Ptax, que será usada para liquidação dos contratos de derivativos cambiais que vencem amanhã. A moeda acelerou a alta frente ao real, negociando a R$ 3,6380 na máxima intradia, após a notícia de que a Política Federal indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e outras nove pessoas, no âmbito da Operação Zelotes, por crimes de tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A notícia contribuiu para aumentar a aversão a risco no mercado local, com investidores ampliando a cautela diante do risco de abrangência das investigações da Operação Lava-Jato para outros setores da economia.

A investigação envolvendo executivos do Bradesco se soma à divulgação do fechamento de novos acordos de delação premiada desta vez do filho de Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, e também a do empresário Marcelo Odebrecht, que podem trazer novas denúncias envolvendo políticos da base aliada, que poderiam atrapalhar a aprovação de medidas do ajuste fiscal. "O medo do mercado é de ter uma situação igual a do Levy [Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff] no ano passado, em que se tinha uma equipe econômica boa, mas que não conseguia aprovar as medidas porque o Congresso atrapalhava as votações", afirma o sócio gestor da Modal Asset, Luiz Eduardo Portella.

O Banco Central realizou hoje a rolagem do lote de US$ 4,7 bilhões em linha de dólares com compromisso de recompra que venceriam em junho.

Lá fora, o dólar operava em queda frente às principais divisas emergentes, com o mercado aguardando a divulgação do livro Bege amanhã.

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