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Embraer fecha em queda de 5% após anúncio de troca de comando

Os investidores reagiram negativamente ao anúncio de troca de comando na Embraer. Na sexta-feira - primeira sessão após o comunicado - a ação caiu 5,04% na Bovespa, a R$ 17,51, com giro financeiro de R$ 38,2 milhões - metade da movimentação da véspera. Em Nova York, o recibo de ação (ADR) da companhia caiu 5,39%% a US$ 20,52.

Analistas de mercados de capitais apontaram que investidores tendem a responder com cautela a trocas de comando em companhias, especialmente quando o executivo conta com aprovação ampla dos acionistas minoritários - caso de Frederico Fleury Curado, que passará o cargo a Paulo César Souza e Silva, a partir de julho, em processo de sucessão que vai até o fim deste ano.

O Deutsche Bank afirmou em relatório que a sucessão na Embraer foi "inesperada", um fator que acabou tornando a reação dos investidores mais aguda. O banco alemão ponderou que o desempenho dos papéis da Embraer reflete ainda pressões no segmento de jatos comerciais, turbulências geopolíticas no Brasil e volatilidade cambial.

Para inflar o impacto negativo sobre as ações da Embraer, a sexta-feira foi marcada em todo o mundo pela aversão ao risco, determinada pelo receio dos investidores ao risco de saída do Reino Unido da União Europeia, depois que uma pesquisa apontou o apoio da população à essa opção. Tanto que Ibovespa, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 todos fecharam as sessões com fortes baixas.

A troca de comando na Embraer ocorre em um cenário em que a empresa atravessa momento crucial. Sua principal unidade de negócios, a de jatos comerciais, está em meio ao processo de renovação de toda a linha de aeronaves, programa que demandou quase de US$ 2 bilhões em investimentos.

Lançada em junho de 2013, a segunda geração da família de E-Jets comerciais, com três novos aviões - o E175-E2, E190-E2, e E195-E2 -, teve o primeiro voo de um modelo da nova família no último dia 20 de junho.

Para dois analistas de bancos estrangeiros que atuam no Brasil, a escolha de Souza e Silva para comandar a Embraer é a mais indicada para a companhia exatamente pelo fato de ele ser o executivo da empresa que mais conhece esse segmento de negócio.

O executivo manteve esse segmento como o pilar de uma Embraer que mais que dobrou de tamanho desde 2010, quando ele assumiu a unidade. No primeiro trimestre daquele ano, esse segmento representava 52,9% da receita líquida da companhia. Em 31 de março último de 2016, as vendas dos jatos comerciais responderam por 54,5% do faturamento total, mesmo levando em conta que, nesse período, a fabricante mais que dobrou o faturamento trimestral, de R$ 1,8 bilhão, para R$ 5 bilhões.

No tabuleiro global de aviação comercial, no segmento de jatos comerciais de 70 a 130 assentos, a Embraer construiu uma liderança, respondendo hoje por mais de 50% das vendas e 60% das entregas do mercado mundial.

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