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Dólar sobe refletindo cautela no exterior e intervenções do BC

O dólar subiu frente ao real nesta quarta-feira sustentado pelo aumento da aversão a risco no exterior e pelas intervenções do Banco Central no mercado de câmbio.

O dólar se valorizou frente às principais divisas depois que mais três fundos imobiliários suspenderam os saques no Reino Unido, elevando o número para seis carteiras no total com problema de liquidez. Esses eventos elevaram o temor nos mercados com relação aos efeitos do "Brexit" para o sistema financeiro na Europa. "Por enquanto, o mercado está vendo isso como um evento mais localizado e a alavancagem dessas instituições financeiras é menor do que as que tínhamos na crise financeira global em 2008. Mas na medida que isso impacta a libra e as taxas de juros de outros países, o mercado passa a monitorar o risco de contágio", afirma Solange Srour, economista-chefe da Arx Investimentos.

As intervenções do BC no câmbio no mercado local, no entanto, levaram o real a liderar as perdas frente ao dólar entre as principais moedas.

O BC vendeu hoje mais 10 mil contratos de swap cambial reverso, no quarto leilão consecutivo, operação que representou uma compra de US$ 500 milhões no mercado futuro.

O dólar comercial subiu 1,10% para R$ 3,3357. Já o contrato futuro para agosto avançava 0,95% para R$ 3,361.

A moeda americana chegou a desacelerar a alta após a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), mas a reação foi modesta uma vez que o documento foi escrito antes do referendo no Reino Unido.

O mercado aguarda os dados do "payroll" (relatório de emprego) nos Estados Unidos, na sexta-feira. "Um número muito forte poderia ser negativo para moedas emergentes como o real, mas um dado muito fraco também poderia trazer a preocupação com uma desaceleração da economia americana", afirma Solange.

Números recentes mais fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos foi um dos fatores citados pelos membros do Fomc para justificar a manutenção da taxa básica de juros.

Os membros do Fomc destacaram, contudo, que é prudente esperar por mais dados do mercado de trabalho e do "Brexit" antes de elevar juros.

Diante do cenário de maior incerteza no mercado externo e interno, principalmente em relação à política fiscal, Solange defende que o BC deveria interromper as intervenções no mercado de câmbio via a venda de swaps cambiais reversos. "Não tem sentido o BC continuar reduzindo o estoque de swaps cambiais tradicionais se o real está tendo um desempenho pior que seus pares", afirma.

A moeda brasileira cai 3,70% em julho frente ao dólar e apresenta o segundo pior desempenho entre as principais divisas, só perdendo para a libra.

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