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Juros futuros têm maior volume em um mês com ajustes após Copom

Os investidores ajustaram as posições nesta quinta-feira após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14%, iniciando o primeiro ciclo de flexibilização monetária desde outubro de 2012. O DI janeiro de 2017 subiu de 13,602% para 13,712% no fechamento do pregão regular, enquanto o DI para janeiro de 2018 avançou de 11,92% para 12,10%. Já o DI para janeiro de 2021 recuou de 11,09% para 11,08%.

A curva de juros refletia 30% de probabilidade de em corte de 0,50 ponto, o que levou os investidores a corrigir suas posições no pregão de hoje, fazendo com que o volume total movimentado fosse o maior desde 20 de setembro. O mercado reduziu a chance de um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião de novembro e aumentou a probabilidade de uma queda maior da Selic mais à frente.

O mercado ajustou as apostas para a política monetária após a indicação do Banco Central de que a queda do juros pode ser mais lenta que o precificado pelos agentes financeiros. O comunicado divulgado após a reunião trouxe alguns elementos considerados mais "hawkish" (mais voltado para o aperto monetário) que geraram dúvidas sobre o ritmo de corte de juros daqui para frente.

O Citi esperava duas quedas de 0,5 ponto da Selic em outubro e novembro e mudou a projeção ontem após a decisão do Copom. Agora prevê um corte de 0,25 ponto em novembro, com Selic encerrando 2016 em 13,75%. "O BC fez um contraponto a tudo que imaginamos que era ?dovish' (com tendência ao afrouxamento monetário). A atividade está desacelerando, mas o BC acha que é temporário. Ele destacou uma pausa da desinflação de serviços e também vê o avanço do ajuste fiscal ainda lento", afirma Marcelo Kfoury, superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil.

Kfoury lembra que houve uma piora das expectativas de inflação para 2018, tanto no cenário de referência como no de mercado, que sugere que o BC pode estar mais preocupado com a sustentabilidade do processo de desinflação e da manutenção da inflação em 4,5% no longo prazo.

Atualmente, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), indicador que tenta antecipar a tendência para o PIB, mostrou um recuo de 0,91% em agosto, ampliando a queda em relação a julho, quando houve recuo de 0,02%.

Para Kfoury, apenas uma surpresa muito positiva com a desaceleração da inflação de serviços poderia levar o BC a cortar a taxa Selic em 0,5 ponto em novembro. "Precisa haver uma melhora sensível dos preços de serviço para o BC decidir por um corte de 0,5 ponto, mas estamos tendo uma redução lenta dos preços de serviços", diz.

Já o banco Brasil Plural acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai intensificar o corte da taxa Selic na reunião de 30 de novembro e optar por uma queda de 0,5 ponto percentual, com a Selic encerrando o ano em 13,50%.

O banco espera que até lá, a PEC 241, que coloca um teto para os gastos do governo, seja aprovada em segundo turno na Câmara dos Deputados e em primeiro turno no Senado, com uma expressiva votação, reduzindo a incerteza fiscal. Além disso, é estimado uma melhora da inflação de curto prazo, com uma queda no setor de serviços juntamente com a reversão do choque dos preços de alimentos, afirma. "Esses dois fatores combinados devem dar maior confiança para o BC aprofundar o ciclo de corte", diz o Brasil Plural em relatório.

A questão que se coloca agora é não só a intensidade do corte de juros na próxima reunião do Copom, mas também qual será o tamanho do ciclo. O Citi manteve a projeção para a Selic em 10,5% no fim de 2017. "Com o BC mais conservador agora, as projeções de inflação devem melhorar e há chance da taxa básica de juros ficar mais baixa no final do ciclo", afirma Kfoury.

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