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Juro futuro sobe com aposta de investidores em ciclo moderado de corte

As taxas dos contratos de DI subiram na BM&F nesta quarta-feira diante da percepção dos investidores de que o processo de alívio monetário tende a ser mais lento que o antecipado. Comentários do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista à "GloboNews" ontem reforçaram o tom conservador da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira, fortalecendo a ideia de que o afrouxamento monetário será lento e gradual.

Na entrevista, Ilan destacou que o alívio monetário "será na medida em que a inflação permitir, nem mais nem menos". Ele ressalvou que a desinflação poderia ser mais rápida - foi de 11% em 2015 e está prevista em 7% neste ano -, mas reconheceu que seria preciso uma economia menos indexada. O presidente do BC repetiu que a meta de 4,5% para a inflação em 2017 é desafiadora, mas crível.

Na BM&F, o DI para janeiro de 2018 fechou estável a 12,27% no encerramento do pregão regular, enquanto o DI para janeiro de 2019 avançou de 11,48% para 11,54%. O DI para janeiro de 2021 subiu de 11,18% para 11,26%. As taxas mais longas subiram influenciadas também pelo aumento da aversão a ativos de risco no exterior.

A curva de juros reflete maior probabilidade de o BC manter o ritmo moderado de corte da taxa Selic e optar por uma queda de 0,25 ponto percentual em novembro.

Segundo Rogério Braga, sócio e gestor da Quantitas, a curva de juros refletia um corte de cerca de 400 pontos-base da Selic antes do comunicado da decisão da reunião do Copom, e passou a embutir uma queda de 375 pontos-base após a divulgação da ata, já considerando o corte de 0,25 ponto percentual ocorrido em outubro. "Apesar do discurso ?hawkish' (com tendência ao aperto monetário) do BC, nosso cenário base ainda é de corte de 0,5 ponto da Selic em novembro, com a taxa básica de juros encerrando o ciclo em 10,75%", diz.

Nesse contexto, Braga acredita que os prêmios nas taxas de juros prefixadas já estão muito reduzidos, considerando a projeção para o ciclo de queda de juros. "O BC está dando a entender que o ciclo que o mercado está precificando não permite a convergência da inflação para a meta e que o ritmo e magnitude do corte de juros não está dado e será necessária uma melhora continua da inflação para cortar mais a taxa básica de juros", diz.

Braga lembra também que há risco nessa trajetória principalmente no cenário político. "O mercado estava muito positivo com o cenário político. O governo tem conseguido avançar com as reformas, mas [elas] não vão ser nenhum céu de brigadeiro", afirma. Para ele, a aprovação da PEC 241 em segundo turno na Câmara já era amplamente aguardada pelos investidores e, por isso, não teve efeito nos preços no mercado local.

Os investidores veem ainda com cautela uma delação da Odebrecht e as eventuais implicações para o cenário político.

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