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Juros futuros caem com leilão do Tesouro e recuo de títulos americanos

As taxas dos contratos futuros de juros recuaram nesta quarta-feira na BM&F amparadas pelo leilão de compra de papéis prefixados do Tesouro Nacional. Além disso, o recuo das taxas dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) no exterior, após a escalada verificada nos últimos dias, contribuiu para gerar um alívio para os ativos locais.

Em uma ação conjunta com o Banco Central, o Tesouro informou, na segunda-feira, que realizará um programa de leilões diários de compra de Notas do Tesouro Nacional (NTN-F) até o dia 18 de novembro. O Tesouro cancelou os leilões de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e NTN-F previstos para o dia 17 de novembro de 2016. Hoje, comprou 445.300 Notas do Tesouro nacional - série F (NTN-F) de quatro vencimentos do total de 1 milhão de papéis ofertados.

Segundo um gestor local, o mercado acabou pedindo um prêmio muito alto e que não foi sancionado pelo Tesouro , o que explica o fato de ele não ter colocado o lote integral. Mas apenas a sinalização de que ele fornecerá suporte ao mercado de títulos públicos, garantindo saída de forma ordenada para os investidores que precisarem reduzir a posição em títulos públicos brasileiros, já acalmou o mercado.

"O mercado tinha entrado em uma dinâmica muito ruim, com movimento muito exagerados. O que o Banco Central e o Tesouro estão fazendo é dar liquidez para os investidores, para que o mercado consiga achar um equilíbrio dos preços de forma mais ordenada", afirma Daniel Weeks, economista-chefe da Garde, Daniel Weeks.

Na BM&F, o DI para janeiro de 2018 caiu de 12,54% para 12,42% no fechamento do pregão regular, enquanto o DI para janeiro de 2019 recuou de 12,23% para 12,17%. E o DI para janeiro de 2021 passou de 12,42% para 12,07%.

O economista-chefe do Banco Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, avalia que o Tesouro Nacional tem espaço para reduzir a posição em papéis prefixados no mercado e poderia, inclusive, não fazer mais a oferta desses títulos até as condições de mercado se normalizarem, dado que a participação desses papéis na Dívida Pública Federal está acima do limite estabelecido pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro. "O Tesouro poderia até fazer uma sinalização adicional de que poderia não colocar mais esses papéis até o final do ano, se mostrando disposto a reduzir o risco do mercado e garantir alguma normalização das condições", diz.

Em setembro, a posição em papéis prefixados estava em 37,71% da Dívida Pública Federal, acima do limite para a participação desses papéis estabelecido pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro, que foi revisado em outubro para uma faixa entre 33% e 37% da DPF.

Kawall afirma que a decisão do Tesouro Nacional de atuar em conjunto com o Banco Central para garantir o bom funcionamento dos mercados foi acertada diante do cenário de incerteza em relação à política econômica americana, que provocou uma reprecificação do mercado de renda fixa refletida na elevação global dos yields (retorno ao investidor) dos papéis soberanos. Esse movimento é reflexo da preocupação com uma política econômica mais inflacionária nos EUA que pode levar o Federal Reserve a subir a taxa de juros além do esperado pelo mercado.

Hoje as taxas das Treasuries operavam em queda, após a leitura do índice de preços ao produtor (PPI) ter vindo abaixo do esperado em outubro.

Nesse cenário de incerteza, lembra Kawall, os investidores, tanto estrangeiros quanto locais, tendem a reduzir o risco da carteira e diminuir as posições em renda fixa, especialmente em papéis prefixados que têm sofrido mais com a alta das taxas dos Treasuries. "Os estrangeiros já vinham reduzindo a posição em títulos públicos locais elevando a participação do investidor local, o que acaba intensificando o efeito da volatilidade externa no mercado doméstico", diz.

Hoje, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou a volatilidade causada com a eleição americana não alterou a visão da política monetária e que a mensagem da última ata do Copom continua válida. "A sinalização do BC tem sido de que esse espaço [para corte de juro] está preservado e que as expectativas melhoraram, a inflação está mais baixa e os números de atividade estão ajudando nessa direção", diz Kawall.

Apesar da valorização recente da moeda americana, o economista do Safra não alterou o cenário para a política monetária e espera um corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic em novembro. "A mensagem do BC continua sendo de cautela, sinalizando que ele pode continuar com um ritmo de corte de juros mais conservador de 0,25 ponto percentual da taxa Selic, o suficiente para garantir a convergência da inflação para a meta no ano que vem", diz Weeks, da Garde.

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