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Juros futuros recuam com menor preocupação política e revisão do PIB

As taxas dos contratos futuros de juros recuaram nesta segunda-feira refletindo o alívio na preocupação com o cenário político local, após os protestos realizados ontem terem se concentrando no apoio à operação Lava-Jato e poupado o presidente da República, Michel Temer.

A melhora da aversão a risco no mercado doméstico e a revisão para baixo das projeções para o PIB brasileiro no ano que vem abriram espaço para os investidores reforçarem as apostas em um corte de 0,50 ponto percentual da taxa Selic na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O DI para janeiro de 2018 recuou de 12,24% para 12,02% no encerramento do pregão regular, enquanto o DI para janeiro de 2018 caiu de 11,92% para 11,61%. E o DI para janeiro de 2021 baixou de 12,34% para 12,01%. Com isso, a probabilidade de corte de 0,50 ponto percentual da Selic projetado para janeiro subiu de 45% na sexta-feira para 63% hoje.

Pesquisa Focus divulgada nesta segunda mostra uma queda nas projeções para a Selic para o fim de 2017, com a mediana das estimativas recuando de 10,75% para 10,5%. Já a mediana das projeções de inflação para 2017 ficou estável em 4,93%. O mercado aguarda a divulgação da ata da última reunião mais recente do Copom amanhã.

Para sócio e gestor da Modal Asset, Luiz Eduardo Portella, a expectativa é que o BC mostre uma confiança maior de que as condições do cenário doméstico oferecem espaço para uma aceleração do corte da taxa Selic em janeiro. "Falta confiança do Banco Central no cenário doméstico. Um ciclo de corte de 0,25 ponto é muita cautela. A inflação já está na meta, as expectativas de inflação estão ancoradas e o choque de preços de alimentos vai ser revertido. Se o câmbio ficar abaixo do patamar atual, de R$ 3,4277, em janeiro há espaço para se discutir um corte maior da Selic de 0,75 ponto", diz Portella, lembrando que no ano que vem, o BC começa a olhar para as projeções de inflação de 2018, que já estão abaixo da meta.

Entre os riscos para a inflação, Portella destaca uma piora no cenário político que acentue a alta das taxas de juros futuros e pressione a taxa de câmbio para cima. "Se não tiver crescimento, a dívida pública pode subir e o câmbio se depreciar", afirma.

A grande expectativa do mercado hoje é com a reforma da Previdência. O governo deve apresentar hoje a proposta para o setor aos movimentos sindicais e encaminhá-la para o Congresso.

Para Portella, o governo conseguindo aprovar a PEC do teto de gastos, cuja votação no segundo turno no Senado está prevista para 13 de dezembro, e o ajuste das taxas dos Treasuries (títulos do governo americano) de dez anos for mais devagar, há espaço para uma queda dos juros futuros com prazos mais longos, que ainda estão acima da taxa verificada após a eleição americana.

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