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Dólar fecha em queda refletindo exterior e perspectiva por PEC

O dólar fechou em queda frente ao real refletindo o movimento de desvalorização da moeda americana no exterior e a perspectiva de aprovação da PEC dos gastos em segundo turno no Senado amanhã, apesar da piora do cenário político.

Depois de abrir em alta frente ao real, o dólar perdeu força no mercado local e passou a acompanhar o movimento no exterior.

Por enquanto, os investidores acreditam que a deleção premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, não deve prejudicar a aprovação das reformas fiscais. Essa é uma das 77 delações de executivos da Odebrecht, que devem ser homologadas no Supremo Tribunal Federal (STF) no ano que vem. "O trâmite das votações vai melhorar uma vez que todos os políticos estão acuados e precisam criar fatos positivos", afirma Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos.

Na delação do executivo da Odebrecht, o presidente Michel Temer foi citado 43 vezes. Outros políticos da base aliada do governo também foram citados.

Apesar do aumento da cautela com o cenário político, o ambiente favorável para os mercados emergentes prevaleceu. O dólar comercial caiu 0,77% e fechou a R$ 3,3460. Já o contrato futuro para janeiro recuava 0,96% para R$ 3,368.

Lá fora, a moeda americana caiu frente às principais moedas emergentes, movimento sustentado pela alta do preço do petróleo que impulsionou principalmente as divisas de países exportadores de commodities. Os investidores aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira. A expectativa é de um aumento de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros americana, mas a grande dúvida é sobre a sinalização dos próximos passos do Fed para o ano que vem.

No mercado local, além da deleção Odebrecht, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou nesta segunda-feira o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato. Renan já era réu no STF acusado de crime de peculato. "Acho que o risco político aumentou e a probabilidade do presidente Temer não chegar ao fim do mandato é maior", afirma Petrassi.

"A delação da Odebrecht é um vespeiro. As proporções disso ainda não estão refletidas nos preços", afirma Italo Abucater, especialista em câmbio da Icap.

Abucater afirma que a incerteza com o cenário político e a perda do grau de investimento atrapalham a atração de investimentos externos. "Investimento de médio e longo prazos a gente não tem. Há só esse dinheiro do ?carry tarde' [estratégia que busca ganhar com a arbitragem de juros", diz.

Nesse cenário, afirma Abucater, os investidores têm evitado montar posições grandes no mercado de câmbio, com o volume hoje ficando um pouco menor que a média.

O Banco Central concluiu hoje a rolagem do lote de US$ 5 bilhões de contratos de swap cambial que venceria em janeiro. Para fevereiro há o vencimento de um lote de US$ 6,431 bilhões nesses derivativos.

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