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Passaredo troca comando e prevê sair de recuperação judicial em 2017

A Passaredo, companhia aérea regional baseada em Ribeirão Preto (SP) decidiu trocar de presidente para iniciar profissionalização da gestão da companhia e prevê concluir até junho de 2017 o processo de recuperação judicial que a companhia se encontra desde 2012.

A partir de janeiro assume a presidência da passaredo o comandante Adalberto Bogsan, que trabalha com a companhia como consultor aeronáutico desde julho de 2016. Antes, ele foi diretor de operações da Azul Linhas Aéreas, de 2014 a 2015, e vice presidente técnico-operacional da Gol (de 2010 a 2013).

Bogsan assume o lugar de José Luiz Felício Filho, que após 15 anos no comando da Passaredo, vai ocupar a presidência do conselho de administração da aérea. "Vemos um cenário de estabilização da economia brasileira para 2017 que vai abrir oportunidades para a aviação doméstica ano que vem. Queremos estar preparados", disse Felício Filho.

"Somos a única companhia brasileira cem por cento voltada para a aviação regional, e acreditamos que em 2017 o governo vai lançar o programa de estímulo ao transporte aéreo regional", afirmou o novo presidente da Passaredo, Bogsan.

Em agosto, o governo federal anunciou mudanças no programa de estímulo à aviação regional - originalmente planejado em 2013. O novo Programa Nacional de Aviação Regional cortou de 270 para 176 a carteira de projetos de aeroportos que receberão investimentos. E os aportes somarão R$ 300 milhões em vez dos R$ 7,3 bilhões como previsto na versão original.

"O novo programa é mais realista e por isso mais factível", disse Bogsan. Para ele, independentemente de uma retomada mais forte da economia e da demanda pelo transporte aéreo no Brasil, a Passaredo por aumentar as receitas com foco na aviação regional. "Há uma grande demanda reprimida nas cidades menores. Vamos alimentar os hubs [aeroportos de conexão] das grandes companhias", disse o novo presidente da Passaredo.

Desde janeiro do ano passado a Passaredo e a Latam tem um acordo de compartilhamento de voos por meio do qual passageiros de uma e de outra podem embarcar de aeroportos atendidos por uma das duas com o mesmo código de bilhete.

Os dois executivos da Passaredo, entretanto, não adiantaram detalhes do plano que por meio do qual a companhia poderá explorar as oportunidades em 2017 - caso esse quadro se confirme, uma vez que o programa de estímulo à aviação regional está emperrado há quase três anos e a demanda pelo transporte aéreo no país está em retração há 15 meses, tendo acumulado nesse período diminuição de 6,5% no tráfego.

Os executivos não abriram dados de balanço ou indicadores operacionais da Passaredo, que pediu recuperação judicial em 2012, na época para compromissos que somavam R$ 100 milhões. O plano prevê que a dívida possa ser quitada em 15 anos.

"Esperamos concluir o processo [de recuperação judicial] no começo de 2017", limitou-se a dizer o agora presidente do conselho, Felício Filho.

Embora todas as companhias aéreas que tenham concessão para realizar o transporte regular de passageiros sejam obrigadas a enviar demonstrações contábeis trimestrais regularmente à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o último dado disponível da Passaredo junto ao governo é referente a dezembro de 2014.

Procurada, a Anac disse ao Valor que o fato de estar em recuperação judicial não isenta uma empresa aérea de encaminhar as informações. "Sobre os dados da Passaredo, a empresa não encaminhou as informações do ano de 2015 e foi autuada por isso. Até o presente momento, estamos aguardando os dados. O auto de infração está em curso", afirmou a Anac, sem revelar os valores das autuações.

Em 2014, a Passaredo registrava em balanço ativos de R$ 284,1 milhões, para um Patrimônio Líquido negativo de R$ 110,292 milhões). O passivo circulante somava R$ 212,7 milhões e o passivo circulante R$ 180,5 milhões.

A receita líquida da Passaredo em 2014 foi de R$ 232,3 milhões com lucro bruto de R$ 26,5 milhões, mas prejuízo líquido na última linha de balanço de R$ 6,137 milhões.

Em junho de 2016, a Passaredo Linhas Aéreas anunciou a demissão de 300 funcionários e reduziu a frota de 14 para oito aeronaves, ficando com modelos turboélices ATR 72-500 e 72-600.

A empresa atende atualmente 18 destinos: Araguaína, Barreiras, Belo Horizonte, Brasília, Cascavel, Cuiabá, Goiânia, Palmas, Porto Seguro, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Rondonópolis, Salvador, São José do Rio Preto, São Paulo, Sinop, Três Lagoas e Vitória da Conquista.

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