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Dólar caminha para maior queda em janeiro em cinco anos

O dólar chega à tarde desta segunda-feira em firme queda frente ao real, dando sequência a um movimento de desvalorização visto ao longo do mês, que alçou o real ao posto de divisa emergente com melhor performance. A desvalorização da moeda no exterior, operações relacionadas à Ptax de fim de mês e fluxos ditam o movimento nesta sessão.

Analistas lembram que ao longo de todo o mês uma combinação de fluxos corporativos (sobretudo de emissões externas), melhora do ambiente externo e a atuação do Banco Central conduziram o dólar para baixo. A surpresa com o corte mais intenso dos juros pelo BC também influenciou positivamente a taxa de câmbio, já que reduziu o prêmio de risco e o peso dos juros na dívida pública.

"Tem muita coisa que pode vir em fevereiro, mas quem vai querer ir contra a queda do dólar hoje? É um duplo custo", diz o operador de um banco estrangeiro, referindo-se ao custo de se apostar contra o real (devido ao juro alto) e à desvalorização nominal do dólar.

Para fevereiro, há expectativas de que os fluxos de captações continuem, mas os mercados reconhecem que o imponderável da Operação Lava-Jato, em um período em que as atividades legislativas voltam do recesso, é um fator de risco.

Às 13h34, o dólar comercial caía 0,87%, a R$ 3,1239. Na mínima, bateu R$ 3,1188, menor patamar intradia desde 26 de outubro, quando chegou a ser negociado a R$ 3,1148.

No mercado futuro, o dólar para fevereiro cedia 0,72%, a R$ 3,122.

Com isso, o dólar comercial caminha para fechar janeiro em baixa próxima de 4% - a mais forte para o mês desde 2012, quando encerrou com depreciação de 6,53% ante o fechamento de dezembro anterior.

Numa lista de 33 divisas globais, o real tem a terceira maior alta e a maior entre moedas emergentes.

Juros

Os juros futuros operam em alta na penúltima sessão de janeiro, em um movimento que apenas pausa semanas de queda quase contínua, ditada pela sinalização do BC de que tornará a cortar a Selic.

De forma geral, a expectativa do mercado é que a taxa básica de juros atinja um dígito este ano. Hoje, dados de inflação doméstica dão suporte a esse cenário. O IGP-M de janeiro subiu menos que o esperado, saindo de 0,54% em dezembro para 0,64%. A expectativa era de aceleração para 0,72%, conforme média das estimativas colhidas pelo Valor Data.

Às 13h35, o DI janeiro de 2018 - que reflete apostas para a política monetária ao longo deste ano - subia a 10,955% ao ano, ante 10,935% no ajuste anterior.

O DI janeiro de 2019 ia a 10,430%, contra 10,400% no último ajuste. O DI janeiro de 2021 avançava a 10,710%, frente a 10,640% no ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI janeiro de 2025 indicava 11,050%, comparado a 10,950% do ajuste de sexta-feira.

Bolsa

O Ibovespa tem uma segunda-feira negativa, na qual os investidores aproveitam o mau humor externo para realizar lucros. O índice caía 2,19% às 13h38, para 65.601 pontos, com investidores reagindo às medidas de Donald Trump contra imigração, que atraíram críticas de líderes globais.

Tump proibiu cidadãos de sete países de entrarem nos EUA (Iraque, Iêmen, Irã, Síria, Líbia, Somália e Sudão), além de suspender por 120 dias o recebimento de qualquer refugiado no país. As medidas foram duramente criticadas por Chefes de Estado e foram alvo de uma onda de protestos.

Segundo analistas, os mercados também operam travados frente a uma semana repleta de eventos importantes. Há decisões de políticas monetárias dos bancos do Japão, Europa e Federal Reserve (Fed).

Brasília volta do recesso e os mercados podem começar a ser mas influenciados por questões domésticas. Os investidores também aguardam desdobramentos da Lava-Jato. O empresário Eike Batista desembarcou nesta manhã no Brasil e foi detido por agente da Polícia Federal. Ele promete colaborar com as investigações. A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, homologou as 77 delações premiadas de executivos da Odebrecht na Lava-Jato.

O Ibovespa subiu 9,6% no ano, até sexta-feira. A queda, que segue o exterior, mostra realização de lucros nos destaques. Apenas a ação da Fibria ON (1,33%) subia no horário.

Fibria divulga balanço hoje, depois do fechamento do mercado. No último dia 24 de janeiro, relatório do BTG Pactual sobre o setor de celulose elevou o preço-alvo da Fibria de R$ 28,00 para R$ 38,00. A ação valia R$ 31,92 por volta das 13h40.

As maiores baixas são variadas, mas contam com os papéis que mais sobem no ano, como CSN (-4,21%), Vale PNA (-4,02%), Bradespar (3,71% PN) e Vale ON (-3,62%).

As ações de empresas criadas pelo ex-bilionário Eike Batista sofreram um imenso tombo desde os seus tempos áureos, antes dos escândalos revelados pela operação Lava-Jato, até hoje.

Levantamento feito pelo Valor mostra que a queda acumulada dos papéis varia entre 55 vezes e 300 vezes desde 2012 até o fechamento de sexta-feira (27).

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