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Dólar fecha em alta após fala de Ilan, mas registra queda no mês

Depois de operar em queda pela manhã, o dólar ganhou força após o fechamento da taxa Ptax e encerrou em alta frente ao real. O mercado também reagiu aos comentários do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que sinalizou que a autoridade monetária pode voltar a reduzir o estoque de contratos de swap cambial tradicional dependendo do comportamento do mercado.

O dólar comercial subiu 0,72% e fechou a R$ 3,1496, acumulando uma queda de 3,11% em janeiro. É a maior queda para o mês desde 2012.

No mercado futuro, o contrato para março avançava 0,60% para R$ 3,17.

A moeda americana acentuou a alta após o fechamento da Ptax, que foi usada como referência para a venda da moeda americana no leilão de rolagem de US$ 1 bilhão em linha de dólar com compromisso de recompra realizado hoje pelo BC e também será utilizada para a liquidação dos contratos de derivativos cambiais que vencem em 1º de fevereiro.

Com o fluxo cambial positivo em US$ 3,612 bilhões em janeiro, até o dia 20, o BC decidiu por fazer a rolagem parcial do lote de US$ 1,8 bilhão que vence em fevereiro, devendo deixar vencer US$ 800 milhões desse montante.

Ilan afirmou hoje, em evento do Credit Suisse em São Paulo, que o BC pode voltar a diminuir o estoque de swaps cambiais, que soma hoje US$ 26,559 bilhões. Em janeiro a autoridade monetária realizou a rolagem integral do lote de US$ 6,431 bilhões que vence em 1º de fevereiro. Para março, está previsto o vencimento de US$ 6,954 bilhões, mas o presidente do BC não garantiu que poderá rolar esses contratos durante o mês de fevereiro para manter o estoque estável. "Neste mês vencem US$ 7 bilhões em swaps , podemos rolar ou não, depende das condições de mercado", disse Ilan.

O entendimento do mercado foi de que a autoridade monetária começa a se incomodar com uma taxa de câmbio próxima do patamar de R$ 3,10, nível que o dólar chegou a alcançar hoje na mínima do pregão intradia. "O patamar de R$ 3,10 parece ser um piso. Abaixo desse nível o BC pode aumentar a intervenção", afirma um gestor local.

Lá fora, a moeda americana caiu frente às principais divisas, com os investidores aguardando a decisão de política monetária do Federal Reserve amanhã. A expectativa é de que o Fed mantenha a taxa básica de juros americana estável.

A normalização da política monetária nos países avançados e nos EUA e a repercussão da política econômica americana foram citados pelo presidente do BC como fatores de incertezas.

No mercado interno, a preocupação com o potencial impacto das novas delações no âmbito da operação Lava-Jato para o governo também contribuiu para a postura mais cautelosa dos investidores.

O risco é de que essas delações possam comprometer políticos da equipe de Michel Temer e atrapalhar a aprovação das reformas, como a Previdência. "No cenário de incerteza o mercado fica mais tomador de de dólar" afirma Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos.

Ontem a presidente do Supremo Tribal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, homologou as 77 delações de executivos da Odebrecht que serão analisadas agora pela Procuradoria Geral da República. Há grande expectativa também com uma possível delação do empresário Eike Batista. Eike, que está preso desde ontem, e deve prestar nesta terça-feira depoimento na Polícia Federal. O advogado de Eike, Fernando Martins, disse a jornalistas que não tem conhecimento sobre qualquer negociação do empresário para uma delação premiada.

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