Bovespa fecha em baixa em meio a expectativa de alta de juros nos EUA

Passado o Carnaval, assuntos que rondavam os investidores há meses voltaram a ganhar força. Os dois principais temas são a elevação dos juros nos Estados Unidos e o cenário político local. O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 1,69% aos 65.855 pontos e giro financeiro de R$ 6,4 bilhões. O movimento de queda, no entanto, foi visto como uma realização de lucros e não como uma tendência de baixa para o mercado de ações.


O desempenho negativo das bolsas americanas também ajudou a azedar o mercado de ações. Depois de recordes de alta, as bolsas americanas caíram em um movimento de realização de lucros. O S&P 500 recuou 0,59% aos 2.381 pontos, o Nasdaq teve baixa de 0,73% aos 5.861 pontos e o Dow Jones fechou com queda de 0,53% aos 21.002 pontos. "A subida dos juros nos Estados Unidos deve ajudar a retirar do mercado cerca de US$ 4 trilhões que foram inseridos na economia por meio do quantitactive easing", diz Plabo Spyer, diretor de operações da Mirae Corretora.


O quantitactive easing é o programa de recompra de papéis dos bancos promovido pelo Federal Reserve, banco central americano para estimular a economia. De acordo com dados do CME Group, a probabilidade de um aperto monetário na reunião do Fed avançou para 75,3% hoje. Ontem, estava em 66,4%.


Essas apostas em um movimento de alta dos juros dos Estados Unidos foram somadas à maior apreensão em relação à delação premiada do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. Em depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Odebrecht negou que o presidente Michel Temer tenha pedido qualquer auxílio financeiro para a campanha eleitoral de 2014.


Ele confirmou, no entanto, sua participação em um jantar no Palácio do Jaburu, que havia sido mencionado pelo ex-diretor de relações institucionais de sua empresa, Cláudio Melo Filho, em delação premiada à Procuradoria Geral da República. Na delação, o executivo disse que Temer pediu R$ 10 milhões à Odebrecht. Temer já havia confirmado o pedido, mas de doação legal.


O receio dos investidores é de que essas delações possam atingir políticos da base aliada do governo e atrasar a aprovação de reformas estruturais importantes, como a da Previdência Social.


As principais ações do Ibovespa fecharam em baixa com destaque para os papéis ligados às empresas de commodities. As principais quedas do dia ficaram com os papéis da Vale, Petrobras e Ambev. Juntas, essas ações respondem por 27% da composição do Ibovespa e seu desempenho tem força para influenciar o comportamento do índice.


As ações da Vale registraram as maiores quedas do dia. Os papéis da Bradespar, acionista da Vale, recuaram 5,72%. As ações PNA da Vale caíram 4,83% e os papéis ordinários tiveram baixa de 5,16%.


Os papéis da mineradora chegaram a ser negociados em alta no começo do dia, acompanhando a valorização do preço do minério de ferro no mercado internacional. A tonelada do produto subiu 1,2% para US$ 92,36 em Qingdao, a China. Mas as ações da Vale inverteram a tendência e passaram a seguira a desvalorização dos seus pares, Rio Tinto e BHP Billiton, que fecharam em baixa no mercado internacional.


As ações ordinárias da Petrobras recuaram 3,53% e as ações preferenciais caíram 2,64%. No mercado internacional, o preço do petróleo encerrou o dia em baixa. "O mercado pode estar reclassificando o preço da ação, já que a empresa anunciou a redução no preço dos combustíveis", diz Marco Tulli Siqueira, gerente de mesa de operações Bovespa da Coinvalores.


As ações ordinárias da Ambev recuaram 3,91% depois de a empresa ter divulgado um resultado financeiro abaixo do esperado por analistas. A empresa teve lucro líquido atribuível as sócios controladores de R$ 4,672 bilhões no quarto trimestre do ano passado, 12,5% acima dos R$ 4,153 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.


No ano passado, o lucro líquido atribuível aos controladores foi de R$ 12,546 bilhões, 1% acima dos R$ 12,423 bilhões de 2015. A receita líquida de vendas teve declínio de 13,9% no quarto trimestre de 2016, para R$ 13,177 bilhões, ante R$ 15,296 bilhões em igual período do ano anterior.


Na ponta oposta, as maiores altas do dia ficaram com as ações da RaiaDrogasil, com alta de 3,27%, com os papéis da Suzano Papel e Celulose, com ganho de 1,84% e BB Seguridade, que subiu 1,83%. A Suzano anunciou hoje que pretende emitir bônus no mercado internacional para captar US$ 500 milhões por um prazo de 30 anos.

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