Bovespa fecha em alta após discurso do Fed confirmar expectativas

Os investidores mantiveram a cautela durante boa parte do dia à espera do discurso de integrantes do Fed, o banco central americano. No fim do pregão, o Ibovespa fechou com alta de 1,41% aos 66.786 pontos e giro financeiro de R$ 5,5 bilhões. Na semana, a bolsa acumula alta de 0,19% e sobe 10,89% no ano.


Em discurso na Yale Law School, em Chicago, Yellen sinalizou um provável aumento de juros em março. Ela afirmou que a política monetária permanece "moderadamente acomodativa" e o processo de reversão da acomodação provavelmente não será tão lento quanto em 2015 e 2016.


A presidente do Fed disse ainda que elevações graduais dos juros serão provavelmente apropriadas nos próximos meses e anos à frente. Ela afirmou que a economia tem "essencialmente" alcançado o mandato de emprego do Fed e está se movendo perto da meta de inflação.


"O mercado já havia antecipado a alta dos juros americanos ontem. Hoje, Yellen reforçou que os juros podem subir e não trouxe outras novidades", diz Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos.


A primeira análise é de que um aumento dos juros americanos poderia fazer com a moeda americana se apreciasse em relação às demais divisas globais. Esse movimento ocorreria porque haveria um aumento dos investimentos em ativos de renda fixa nos Estados Unidos, o que não seria favorável à bolsa de valores brasileira. "Mas essa premissa pode não ser totalmente verdadeira", diz Lucas Tambellini, estrategista de ações do Itaú BBA.


De acordo com ele, o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos indica que a economia americana está em expansão. O crescimento econômico americano deve favorecer a venda de commodities. "E neste cenário, as ações das empresas ligadas ao setor teriam alta de preços, o que favoreceria a elevação do patamar da bolsa de valores", diz.


No longo prazo, a estimativa para a bolsa de valores ainda é de alta e o Ibovespa poderia alcançar os 78 mil pontos, nas projeções do Itaú BBA. "Se o Brasil continuar perseguindo o ajuste fiscal e a aprovação das reformas estruturais, o país deve voltar a crescer. E os investidores preferem colocar o dinheiro em países que estão crescendo", diz. A aprovação das reformas estruturais e a continuidade da queda dos juros deve fazer com que o as empresas melhorem o nível operacional e financeiro e aumentem lucros, o que atrai investimentos.


Entre as ações mais negociadas, os destaques de alta ficaram com os papéis preferenciais da Cemig, que subiram 4,96%, seguidas pelas ações do Banco do Brasil, com alta de 4,87% e as ações da Cielo, que tiveram alta de 3,66%.


As ações do BB subiram impulsionadas por relatórios de bancos após encontro de diretores do BB com analistas, hoje. Os executivos afirmaram no encontro que a principal meta do banco é priorizar a rentabilidade e não ganhar participação no mercado.


As ações da Cielo subiram após o HSBC revisar as expectativas para a empresa e passar de neutra para compra a recomendação para a ação. O preço-alvo da Cielo passou de R$ 32 para R$ 33, com potencial de valorização de cerca de 19%.


As ações das empresas ligadas a commodities também fecharam em alta. Os papéis PNA da Vale fecharam estáveis a R$ 30,33 e as ações ordinárias ganharam 1,14%. O banco Credit Suisse elevou o preço-alvo das ADRs (recibo de ações da empresa negociadas na bolsa americana) da Vale de US$ 7 para US$ 9.


Os papéis preferenciais da Petrobras subiram 1,39% e as ações ordinárias ganharam 0,63%, seguindo o desempenho positivo da cotação do petróleo no mercado internacional. Os contratos futuros do WTI com vencimento em abril subiram 1,4% para US$ 53,33 o barril.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos