Juros futuros longos têm maior queda em 7 semanas, com dólar e Yellen

As taxas de DI de prazos mais longos tiveram nesta sexta-feira a maior queda em sete semanas, influenciadas pela aceleração das perdas do dólar e pela resiliência dos mercados internacionais, a despeito da sinalização do Federal Reserve (Fed, BC americano) de que poderá subir os juros neste mês.


Segundo analistas, a percepção de risco segue deprimida tanto pela visão de que juros maiores nos EUA refletem recuperação da maior economia do mundo quanto - e principalmente - pela recente moderação de tom do presidente americano, Donald Trump, em torno de políticas protecionistas.


"O discurso [de Yellen] pareceu mais uma confirmação do que já vinha sendo dito do que um fator novo", diz o profissional de uma asset.


Em Chicago, a presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Janet Yellen, afirmou que a instituição deve subir as taxas de juros no fim deste mês, caso os dados de emprego e inflação mantenham a trajetória positiva recente.


De acordo com operadores do mercado financeiro, apesar de alguma incerteza política doméstica, a impressão é que não há muitos motivos para se apostar numa deterioração de cenário local, o que ampara queda de prêmios de risco em vencimentos mais longos e sustenta expectativas de mais cortes de juros pelo Banco Central brasileiro.


Declarações do presidente do BC, Ilan Goldfajn, reforçaram essa ideia. Em entrevista à Globo News, ele se disse surpreso com a "rápida" queda da inflação e afirmou que o alívio forte dos preços dos alimentos pode ter efeitos indiretos, contribuindo para reduzir outros preços e baixando ainda mais a inflação.


Para a LCA Consultores, a situação "confortável" das contas externas e as reformas "nos trilhos" não alteram o "plano de voo" do Copom de seguir cortando os juros. A consultoria inclusive passou a ver corte de 1 ponto percentual da Selic nas reuniões de abril e maio, apoiada na sinalização do BC de que mantém a porta aberta para tal.


Na curva de juros, os contratos de DI já indicam um mercado "dividido" em relação à magnitude do corte da Selic nas próximas duas reuniões do Copom. Há 45% de probabilidade de redução de 1 ponto percentual (55% de chance de corte de 0,75 ponto) tanto em abril quanto em maio. Ontem, o mercado encerrou projetando 34% de chance de corte de 1 ponto para as duas reuniões.A Selic estimada para o fim do ano é de 9,3%, ante 9,4% ontem.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro de 2018 - que reflete apostas para o juro básico ao longo de 2017 - cedia a 10,240% ao ano, frente a 10,320% no ajuste anterior.O DI janeiro de 2019 ia a 9,720%, ante 9,840% no último ajuste.


ODI janeiro de 2021 caía a 10,000% (10,150% no ajuste da véspera), depois de bater uma mínima de 9,990%.Se a taxa de 10,000% for mantida até o fechamento, esse DI registrará queda de 14 pontos-base ante o encerramento da véspera, a maior desde 12 de janeiro (-32 pontos).


Na ponta longa, o DI janeiro de 2023 recuava a 10,240%, comparado a 10,360% do ajuste de ontem. A baixa de 13 pontos ante o fechamento da véspera é a mais forte desde também 12 de janeiro.


E o DI janeiro de 2025 caía a 10,340% (10,470% no ajuste anterior), também o recuo mais forte desde 12 de janeiro.


O volume é firme. Cerca de 1,74 milhão de contratos de DI de 1 dia já foram negociados, já o maior volume desde o último dia 23 de fevereiro.

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