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Sem surpresas com Fed, dólar tem maior queda em dois meses

Um dia depois de registrar a maior alta em três meses, o dólar sofreu a queda mais forte ante o real desde o começo do ano. No fechamento, a cotação recuou 1,19%, a 3,1134, desvalorização mais intensa desde 4 de janeiro (queda de 1,29%). O real teve o segundo melhor desempenho global neste pregão, atrás apenas do peso mexicano.


Seguindo o exterior, a moeda ampliou as perdas após o discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, BC americano), Janet Yellen. Embora tenham sustentado expectativas de alta de juros nos EUA ainda neste mês, as declarações de Yellen foram interpretadas mais como uma confirmação de discursos recentes de outros membros do Fed, sem elementos diferentes dos citados nos últimos dias.


Frustrada a expectativa de um tom mais "hawkish" da parte de Yellen, investidores aceleraram as vendas de dólares em todo o mundo. A moeda americana ampliou as perdas contra várias divisas emergentes, sobretudo ante o peso mexicano, destaque do mercado global de câmbio nesta sexta-feira.


Para o estrategista da XP Investimentos em Nova York, Daniel Cunha, o real foi hoje "bastante influenciado" pelo movimento da moeda mexicana. Segundo ele, a recuperação do peso se deveu a uma menor preocupação sobre políticas protecionistas de Donald Trump. "Nessa hora, o investidor olha a América Latina como um todo e, mesmo o Brasil sendo um país mais fechado, a melhora de sentimento no México se estende por toda a região", afirma.


O peso subia 2,1% ante o dólar nesta sessão.


O Morgan Stanley nota que, diferentemente de períodos passados, a combinação entre elevação de custos de financiamento em dólar e fortalecimento da moeda americana está tendo efeito "silencioso" em ativos emergentes com juros maiores. Para o banco, isso indica que a liquidez global segue "amplas", fator que dá suporte à avaliação positiva do banco para ativos "high yield".


O Morgan se diz "construtivo" no real, considerando que, mesmo após os cortes da Selic, a moeda continua a oferecer um dos mais atrativos retornos ajustados por volatilidade.


Na semana, o dólar no Brasil ficou praticamente estável, com variação positiva de 0,04%. No ano, a cotação recua 4,22%.

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