Bovespa fecha em queda com expectativa sobre juros nos EUA

O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 0,67% aos 66.341 pontos e giro financeiro de R$ 6,5 bilhões. O índice chegou a registrar volatilidade durante a manhã, mas consolidou a tendência de queda após a abertura das bolsas americanas e continuou assim ao longo do dia.


As bolsas americanas caíram com a cautela dos investidores em relação ao aumento de juros nos Estados Unidos. Na sexta-feira, a presidente do Fed, Janet Yellen, sinalizou a alta da taxa e as apostas são de que os juros subam ainda neste mês. A elevação dos juros não favorece os investimentos em renda variável.


Entre as ações mais negociadas, os destaques de alta ficaram com os papéis ordinários da MRV, com valorização de 3,46%. A empresa divulga amanhã o resultado financeiro do quarto trimestre do ano passado. Também subiram as ações da Gerdau Metalúrgica, com valorização de 2,96% e as ações das Lojas Americanas, com alta de 3,19%.


As ações da Vale fecharam com baixa. As ações PNA caíram 3,10% e os papéis ordinários tiveram baixa de 2,26%. O preço do minério de ferro caiu 1,7% em Qingdao, na China, para US$ 89,73 a tonelada, o que afeta de maneira negativa a cotação das ações da Vale.


De acordo com a agência de notícias Reuters, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, afirmou em entrevista durante uma conferência no Canadá que uma decisão sobre o substituto do atual presidente-executivo da Vale, Murilo Ferreira, poderá surgir entre o final de março e início de abril.


As ações da Petrobras fecharam em baixa. Os papéis preferenciais caíram 1,44% e as ações ordinárias tiveram queda de 0,44%. O comportamento dos papéis segue o desempenho negativo da cotação do petróleo no mercado internacional. Os contratos futuros WTI para abril caíram 0,24% a US$ 53,20 o barril.


Apesar da queda do Ibovespa, os analistas do mercado de ações continuam otimistas com a tendência de alta para o mercado de ações. Um estudo feito pela equipe de analistas do UBS, liderada por Alan Alanis, analisou a tendência do Ebtida (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), dívidas e ganhos do Ibovespa excluindo os setores de energia (Petrobras), commodities (Vale) e financeiro.


De acordo com relatório do banco, o Ebtida do Ibovespa, excluindo esses três setores, pode crescer 14% neste ano. Se esse número for confirmado, será a primeira vez que isso corre desde 2006.


Esse aumento do Ebitda deve ocorrer devido ao real mais forte (efeito deflacionário sobre as matérias-primas denominadas em dólar), aos custos mais baixos de mão-de-obra (o desemprego deve continuar aumentando por mais alguns meses) e a eficiência operacional das companhias.


A relação entre a dívida líquida e o Ebitda do Ibovespa deve permanecer baixa e tende a diminuir ainda mais quando os três setores são excluídos. A relação entre dívida e Ebitda deve diminuir de 1,6 vezes em 2016, para 1,3 neste ano e 1,1 em 2018. Deve haver um crescimento dos ganhos das empresas em meados de 2017 e 2018 devido à queda das taxas de juros mais baixas, que devem ser reduzidas com o recuo da inflação.


O estrategista de ações para a América Latina do BofA (Bank of America Merrill Lynch), Felipe Hirai, aposta que o Ibovespa deve atingir os 70 mil pontos até o final deste ano. A valorização do índice está condicionada à aprovação das reformas estruturais, a continuidade do corte de juros e à recuperação do lucro das empresas.


A recuperação dos lucros virá pelo aumento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano. A projeção do BofA é de que a economia cresça 1%. Os lucros também devem ser maiores por conta da redução do custo das empresas - que começou no ano passado -, pela diminuição da despesa financeira e pela alta no preço dos commodities.


O lucro do setor financeiro representa 43% dos lucros do Ibovespa e o lucro dos setores de commodities correspondem a 29% dos lucros do Ibovespa. A projeção do BofA é de que o lucros dos bancos devem aumentar 10% neste ano e o preço das commodities deve ficar acima do registrado no ano passado. "É bem razoável supor que se a economia tiver uma recuperação acima do esperado, esses lucros devem aumentar ainda mais", diz.

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