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Queda no preço dos alimentos atenua inflação da baixa renda, diz FGV

A inflação em 12 meses até fevereiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que abrange a percepção nos preços para famílias com até 2,5 salários mínimos mensais, ficou em 4,11% - o menor patamar desde agosto de 2010 (3,99%).


O enfraquecimento da inflação dos alimentos levou a este cenário, segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz. Para o especialista, o atual movimento de alimentos mais baratos tem condições de prosseguir este ano, devido à boa perspectiva de safra e de condições climáticas favoráveis.


O impacto deve continuar a ser tão intenso, que ele não descartou a possibilidade de deflação nas próximas taxas mensais do indicador. "Este resultado reforça tendência de desaceleração da inflação que outros indicadores já vinham mostrando, influenciados por alimentação", avaliou.


Na passagem de janeiro a fevereiro, o índice diminuiu de 0,54% para 0,07%. No mesmo período, os preços dos alimentos saíram de uma alta de 0,54% para deflação de 0,45%. No IPC-C1, a alimentação representa 32,46% do indicador. No Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), também calculado pela FGV e que abrange famílias com maior renda, de até 33 salários mínimos mensais, a classe de despesa dos alimentos tem peso menor de 25,84%.


Braz comentou o fato de que os alimentos que mais contribuíram para o recuo na classe de despesa em fevereiro são itens de grande importância na cesta básica. É o caso de arroz (-0,62%); feijão preto (-8,96%) e frango inteiro (-4%). "Há muito otimismo de que a inflação feche este ano abaixo de 4,5%, mas tudo depende de alimentação", afirmou Braz, referindo-se às projeções de mercado em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).


Nem mesmo perspectiva de aumentos de preços monitorados em magnitude mais elevada do que a do ano passado deve impedir a influência benéfica da inflação dos alimentos mais baixa este ano, nos resultados dos indicadores.


Apesar de apostar em alimentação com preços bem comportados este ano, o especialista fez uma ressalva. O técnico lembrou que, caso ocorram possíveis problemas de clima, que afetam safras e reduzem oferta de agropecuários e de seus derivados, estes podem ocorrer de forma repentina. "Alimentação deve contar com perspectiva de boa safra este ano. Mas aviso que estamos contando com um fator que opera com condições voláteis", afirmou.

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