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Dólar fecha em alta com atuação do BC e incertezas políticas

O dólar fechou em alta frente ao real nesta quinta-feira na contramão do movimento registrado contra outras divisas emergentes. De forma geral, o entendimento é que a sessão de hoje sugere uma "ressaca" das expressivas variações de ontem. O real, por exemplo, subiu quase 2% na quarta-feira, maior valorização em mais de seis meses.


A moeda subiu 0,17%, a R$ 3,1151. Na mínima, foi a R$ 3,0924, menor patamar em duas semanas, mas alcançou uma máxima de R$ 3,1230 durante os negócios.


No mercado futuro, o dólar para abril se valorizava 0,37%, a R$ 3,1310.


No exterior, uma cesta de divisas emergentes, excluindo o real, ganhava 0,68%.


A alta adicional da moeda brasileira ante pares emergentes no acumulado do ano caiu hoje ao menor patamar desde 2 de janeiro.


Segundo profissionais, a combinação entre persistentes ruídos do lado fiscal e a expectativa de mais redução de liquidez pelo Banco Central pesaram sobre o câmbio.


O BC colocou todos os 10 mil contratos de swap cambial ofertados em leilão de rolagem nesta quinta-feira. Foi a primeira operação para postergar o vencimento dos papéis, inicialmente previsto para o começo de abril. Em nota em seu site, o Banco Central informou ontem que o lote de 10 mil contratos é "inicial".


Um total de US$ 9,711 bilhões em swaps vence no começo de abril. Se o BC colocar integralmente ofertas diárias de 10 mil contratos até 30 de março, deixará expirar o equivalente a US$ 4,21 bilhões.


A retirada de liquidez, portanto, seria menor que a realizada ao longo de fevereiro, quando o BC enxugou do mercado um total de US$ 4,55 bilhões em swaps. Ao longo de fevereiro, o dólar chegou a intensificar a baixa em alguns dias diante da percepção do mercado de que o BC estaria evitando deixar de rolar um volume mais expressivo de swaps por elevar riscos de ficar "sem munição" nos meses seguintes.


"Se o BC tivesse mais para comprar [swaps], ele compraria. A questão é que o estoque de fato já está bem mais baixo", afirma o estrategista da Brasif Gestão, Henrique de la Rocque.


Confirmada a projeção de recompra de swaps, o estoque desses contratos chegará ao começo de abril em US$ 17,76 bilhões - menor patamar desde 21 de junho de 2013 (US$ 16,095 bilhões) e 85% abaixo do pico de 31 de março de 2015 (US$ 114,918 bilhões).


Para a equipe de estratégia do BNP Paribas para a América Latina, liderada por Gabriel Gersztein, a autoridade monetária parece "confortável" com o desmonte do estoque desses contratos, num contexto de cenário externo "forte", perspectiva de fluxos nos próximos meses e melhora de fatores locais no Brasil - que tendem a continuar se traduzindo em queda dos prêmios de risco dos ativos domésticos.


O modelo de Gersztein para o câmbio indica o valor de R$ 3,047 por dólar como taxa "justa".


"Continuamos comprados em real contra uma cesta composta por euro, peso chileno e dólar australiano, que já retornou +19,7% até o momento", afirma Gersztein em nota a clientes.

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