Creches atendem apenas 25% das crianças até 4 anos, aponta IBGE

Quase 75% das crianças com menos de quatro anos não estavam, em 2015, matriculadas em creche ou escola de educação infantil, segundo dados do suplemento "Aspectos dos cuidados das crianças de menos de 4 anos de idade", baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e divulgado nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Das 10,3 milhões de crianças nessa faixa etária investigadas na pesquisa, 7,7 milhões (74,4%) não estavam matriculadas na pré-escola. Ou seja, apenas 2,6 milhões - o equivalente a 25,6% - estavam na escola, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O Plano Nacional de Educação (PNE) prevê ampliar a oferta de educação infantil em creches, de forma a atender, no mínimo, metade das crianças de até três anos até 2024. O ensino é obrigatório apenas para crianças a partir dos quatro anos de idade.


A comerciante Clarice Marinho, de 39 anos, decidiu não matricular o filho de um ano e seis meses na creche. Depois que o mais velho, que hoje tem nove anos, ficou deprimido na unidade onde estudava, ela prefere levar o filho para a loja onde trabalha, em Bangu, na zona oeste do Rio. Lá a criança fica sob os cuidados dos pais e da avó. "Não senti confiança em nenhum lugar que tenha visto", lamentou Clarice, que ainda planeja matricular o filho na creche no segundo semestre, se conseguir vaga no local que deseja.


De acordo com o IBGE, apenas 1,4 milhão de crianças de menos de quatro anos de idade, o equivalente a 16,6% dos menores nessa faixa etária, permaneciam sob os cuidados oferecidos em creche ou escola no período da manhã e da tarde, o chamado turno integral. Segundo o levantamento, 78,6% ficavam, de segunda a sexta, no domicílio em que residiam, o que significava 6,8 milhões de crianças. Outros 4,4% (ou 380 mil crianças) ficavam em outro domicílio.


Com as crianças fora da escola, o IBGE perguntou ao responsável se havia interesse na matrícula: a resposta foi positiva para 61,8% dos entrevistados, o equivalente a 4,7 milhões de crianças. O instituto, no entanto, não se aprofundou na análise dos motivos que levaram à baixa frequência na pré-escola.


Foi na região Norte onde os responsáveis demonstraram menos interesse em matricular os filhos pequenos na creche, 58,2%. Esse percentual foi maior no Sudeste (63%), Nordeste (62,3%), Centro-Oeste (62%) e Sul (60,8%).


Quanto mais novo, retorno maior


O IBGE usou um estudo americano, liderado pelo Prêmio Nobel de Economia James Heckman, para reforçar a importância do investimento em educação infantil. A análise aponta para uma taxa de retorno maior quando o investimento em capital humano é realizado em crianças mais novas, principalmente nos primeiros anos de vida, destacou Adriana Beringuy, analista do IBGE responsável pelo levantamento.


O problema é que menos da metade dos responsáveis que não tinham as crianças matriculadas tomou alguma iniciativa para colocar os filhos na escola. Enquanto na média brasileira essa fatia era de 43,2%, na região Norte chegava a 26,4%, menor percentual entre todas as regiões. No Nordeste a proporção era de 31%, no Sudeste de 54,6%, no Sul de 57,3% e Centro-Oeste de 47,2%.


Entre aqueles que tentaram conseguir vaga em creche ou escola, 58,7% entraram em contato com creche, Prefeitura ou secretaria para informações sobre existência de vagas e outros 37,3% fizeram inscrição em fila de espera para vagas.


De acordo com o IBGE, 3,8% daqueles responsáveis que tentaram matricular a criança na creche entraram em contato com parentes, conhecidos ou amigos que poderiam ajudar a conseguir vaga e 0,2% foram pela via da ação judicial solicitando vaga.

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