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Bolsas de NY fecham em queda após ata do banco central americano

A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve em março pegou o mercado de surpresa. Mas nada relacionado ao momento das futuras altas de taxas. O inesperado veio pela revelação de que as discussões internas sobre o processo de enxugamento do massivo balanço de US$ 4,5 trilhões do Federal Reserve foram muito mais profundas e extensas do que se especulava.


Após ajustes, o Dow Jones fechou em queda de 0,20% a 20.648,15 pontos. O S&P 500 recuou 0,31% a 2.352,95 pontos. O Nasdaq perdeu 0,58% a 5.864,47 pontos.


No S&P 500, nove dos 11 setores terminaram no negativo. A maior queda ficou com os papéis de instituições financeiras, que recuaram 0,76%. Na sequência, vieram as ações de tecnologia, com baixa de 0,41%.


No Dow Jones, J.P.Morgan, Cisco e IBM lideraram as quedas, com desvalorizações de, respectivamente, 1,28%, 1,23% e 0,94%.


O debate do tema em si já era esperado, uma vez que vários integrantes do banco central americano sinalizaram essa preocupação com o processo de redução do portfólio nas semanas recentes. Mas o detalhamento do debate durante o encontro, conforme mostrou a ata, fez os investidores reagirem com o aumento de cautela.


Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) não apenas sinalizaram ver o fim do ano como momento provável para o início do processo, como discutiram até mesmo eventuais formas de executar a tarefa e as condições para deflagrar essa redução.


As bolsas de Nova York, que vinham em fortes altas antes da ata, passaram a cair depois da divulgação do documento."Acho que a grande surpresa foi a quantidade de cenários que eles incluíram", afirmou Matt Toms, executivo-chefe de investimentos da Voya Investment Management. "Os integrantes do Fed falaram sobre endereçar tanto os ativos hipotecários quanto os Treasuries (títulos do Tesouro americano) e o mercado havia especulado que o banco central iria abordar [no início do processo de enxugamento do balanço] apenas os componentes imobiliário", considerou.






Embora não tenha alcançado nenhuma decisão, o Fomc chegou a ponderar no encontro de março a possibilidade de definir um gatilho para o processo, como um determinado nível de taxas do Fed Funds. O consenso, porém, pendeu para uma avaliação "qualitativa" das condições econômicas e financeiras antes de começar o enxugamento.


Outra discussão que pontuou a reunião de março abordou a estratégia: se o Fed deveria reduzir gradualmente os reinvestimentos em novos papéis, feitos conforme os títulos vencem, para manter o portfólio estável ou parar com a prática de uma vez.


Esse movimento, devido ao tamanho do portfólio de ativos do Fed, teria grande impacto sobre os mercados globais. Vários membros do banco central, entre os quais a própria presidente Janet Yellen, indicaram que tal ação equivaleria a uma alta de taxas. Alguns integrantes da autoridade chegaram mesmo a sugerir a possibilidade de o Fomc interromper temporariamente as elevações quando o processo de diminuição do balanço começar.


A ata trouxe ainda observações que ampliaram as incertezas sobre o cenário econômico no curto prazo. Integrantes do Fed ressaltaram a visão de que os preços das ações parecem relativamente altos por medidas de valorização e citaram a possibilidade de uma correção nos mercados financeiros como um risco para as projeções.


Antes do documento sobre a reunião do Fed em março, Wall Street havia ensaiado um rali com o otimismo surgido após os números de criação de empregos no setor privado em março, divulgados hoje pela ADP. Os índices de Nova York chegaram a subir quase 1% na máxima do dia e o Nasdaq chegou mesmo a superar o recorde intradia.


O relatório apontou a geração líquida de 263 mil vagas, bem acima das 180 mil esperadas por analistas. O levantamento da ADP é visto como uma prévia dos números oficiais do "payroll" que será divulgado na sexta-feira.


Na quinta, ocorrerá outro evento significativo, quando o presidente americano Donald Trump vai se reunir pela primeira vez com o chefe de Estados chinês Xi Jinping, na Flórida. Os líderes das duas maiores economias do mundo devem discutir o comércio global, a escalada militar da Coreia do Norte, entre outros temas.

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