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Bolsas de NY atenuam alta após declaração de Trump sobre Síria

O mundo ficou um pouco mais incerto nesta quinta-feira. E essa virada de percepção ganhou força na reta final do pregão em Wall Street, o que levou os principais índices acionários americanos a moderar os ganhos vistos na primeira metade do dia.


Após ajustes, o Dow Jones fechou em alta de 0,07%, a 20.662,95 pontos, mas chegou a subir 0,5% na máxima do dia. O S&P 500 ganhou 0,19%, a 2.357,49 pontos. O Nasdaq avançou 0,25%, a 5.878,94 pontos.


Apesar das incertezas geopolíticas, os índices acionários de Nova York receberam um suporte da alta do petróleo, que puxou as ações de energia. O setor registrou o maior avanço no S&P 500, de 0,80%.


No Dow Jones, Caterpilar, Chevron e Exxon Mobil lideraram as altas, com subidas de, respectivamente, 1,68%, 0,60% e 0,58%.


A alta das bolsas americanas também refletiu as expectativas sobre o crescimento dos lucros das corporações dos EUA. Analistas esperam que as empresas do S&P 500 registrem o melhor trimestre desde 2011.


O elevado nível de precificação das ações em Nova York, contudo, tem inspirado cautela entre para muitos investidores. Desde a eleição nos EUA, em 8 de novembro, o S&P 500 acumula alta de quase 10%. A ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, divulgada ontem, mostrou que parte dos integrantes do BC considera os preços das ações altos em relação a métricas de precificação. O banco central citou a possibilidade de correção nos mercados financeiros como um fator de risco para as projeções econômicas.


A turbulência geopolítica vista nesta quinta-feira começou em pleno voo que levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Flórida para o encontro com o chefe de Estado chinês Xi Jinping. Durante o trajeto, Trump reforçou a repórteres a bordo que "algo deve acontecer com" Bashar al-Assad.


Os americanos atribuem ao mandatário sírio a culpa pelo ataque químico na terça-feira que deixou mais de 80 mortos, entre os quais dezenas de crianças no conflito interno do país árabe.


O secretário de Estado, Rex Tillerson, também sinalizou, quase no mesmo momento em que o presidente fazia as declarações, que o governo quer remover Assad do poder na Síria. Trata-se de uma reversão da postura adotada inicialmente pela administração Trump de evitar interferências no conflito do país árabe.


Após o ataque com o gás proibido, entretanto, os EUA adotaram uma retórica intervencionista. Segundo alertou Tillerson, os americanos estudam uma "resposta apropriada" e a Rússia deve "considerar cuidadosamente" se quer manter o suporte ao governante da Síria.


Além dos comentários sobre a Síria, Trump também mirou a Coreia do Norte. O presidente afirmou que os EUA estão dispostos a agir sozinhos para deter a escalada nuclear da nação asiática se a China não se manifestar.


"O mercado reagiu [às notícias geopolíticas] e se retraiu um pouco", afirmou Daniel Deming, diretor da KKM Financial. "[Wall Street] conseguiu segurar os ganhos, mas os investidores estão pensando que muita coisa pode acontecer nas próximas 24 horas", disse.




Os principais índices de Nova York, que navegavam com solidez no território positivo, chegaram a zerar os ganhos após as declarações de Trump e Tillerson. O sentimento de cautela já se fazia presente, embora ainda acanhado, diante da iminência do encontro de dois dias entre os presidentes das duas maiores potências econômicas mundiais, que começa hoje no resort de Mar-a-Lago, na Flórida, com um jantar.


Os dois líderes devem discutir temas delicados, como comércio global e a escalada militar na Coreia do Norte, aliada da China. "Há muito ruído no mercado no momento", avaliou Arian Vojdani, estrategista de investimentos da MV Financial.







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