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Juros futuros longos têm maior alta em 2 semanas nesta quinta-feira

Na véspera da divulgação do IPCA de março, a piora do humor nos mercados financeiros domésticos atingiu em cheio a renda fixa. Os juros futuros de prazos mais longos negociados na BM&F tiveram a maior alta em duas semanas, puxados pela leitura de que o governo não está conseguindo conter a deterioração das expectativas em torno do ajuste fiscal.


Operadores notaram algum fluxo de saída de recursos de estrangeiro, mas chamaram a atenção sobretudo para uma correção de posições de locais, que reforçaram nos últimos meses apostas vendidas tanto em dólar quanto em juros.


Por ora, a elevação dos prêmios de risco é interpretada mais como uma pausa em novas apostas a favor dos ativos do que por uma corrida para desmontar posições benignas na renda fixa, por exemplo. "Por enquanto o cenário-base continua, mas é natural que o mercado coloque nos preços o maior ruído da Previdência", diz um profissional, que reconhece, porém, que o mercado está "muito vendido" em juro.


A preocupação maior diz respeito à reforma da Previdência. Os receios cresceram depois de um placar indicar que o governo terá mais dificuldade para convencer a base aliada na Câmara dos Deputados a votar a favor do projeto.A tentativa do governo de acalmar os nervos e injetar ânimo no mercado fracassou.


A autorização que o presidente Michel Temer disse ter dado para que o relator do projeto, deputado Arthur Maia (PPS-BA), negocie mudanças no texto original serviu para adicionar ainda mais cautela. Ao longo de março, os mercados chegaram a registrar uma correção de baixa justamente pela avaliação de que o governo estaria cedendo em excesso aos pleitos de alguns integrantes da base, movimento que foi visto como uma ameaça à integridade e força da proposta de reforma da Previdência.


Nesta quinta-feira, Temer disse que "o problema central da reforma é a idade" e que repercussões de natureza fiscal decorrentes de alterações ainda serão analisadas. O presidente minimizou o placar publicado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", que mostrou um caminho mais tortuoso para o governo aprovar a proposta.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro de 2021 - sensível à percepção de risco estrutural da economia - subia a 10,000% (9,850% no ajuste de ontem). Contra o fechamento de ontem, a alta é de 11 pontos-base, a mais forte em duas semanas.


O DI janeiro de 2019 tinha alta a 9,540% (9,440% no último ajuste). E o DI janeiro de 2018 subia a 9,800% (9,765% no ajuste anterior).


Mais de 1,56 milhão de contratos de DI de um dia foram negociados na BM&F até por volta das 16h, o que já torna a sessão de hoje a mais movimentada em uma semana.

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