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Setor de fundos tem captação recorde de R$ 108,6 bilhões no trimestre

O setor de fundos de investimentos registrou no primeiro trimestre captação líquida recorde de R$ 108,6 bilhões. Trata-se do maior fluxo para o segmento desde 2002, o início da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Na comparação com o mesmo período do ano passado, o incremento foi de 186,5%. A média da indústria nos últimos cinco anos foi de R$ 49,7 bilhões.


Segundo dados apresentados nesta manhã, os fundos de renda fixa, sozinhos, receberam R$ 74,2 bilhões entre janeiro e março, o equivalente a 4,42% do patrimônio líquido da categoria. Os multimercados também mostram recuperação, com ingressos líquidos de R$ 20,2 bilhões, depois de um saldo negativo de R$ 29,6 bilhões no mesmo intervalo do ano passado. As carteiras de ações, por sua vez, atraíram R$ 2,6 bilhões líquidos depois de perder R$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre de 2016. Os fundos de previdência seguem com entradas consistentes, tendo recebido R$ 10 bilhões até março, ante R$ 4,7 bilhões na comparação com 2016. O setor tinha, no fim do trimestre, um patrimônio líquido total de R$ 3,7 trilhões.


De acordo com o vice-presidente da Anbima, Carlos Ambrósio, o vencimento de títulos isentos, como LCI e LCA, bem como a realocação entre vários riscos de renda fixa, como poupança, CDB e títulos públicos, potencializou a captação do setor.


"No ambiente de queda das taxas há uma propensão à alocação maior em produtos. Na hora em que [o investidor] procura gestão ativa para ter retorno acima de determinados patamares, o fundo tem atratividade maior", disse, em teleconferência com jornalistas.


Na categoria renda fixa risco baixo soberano, cerca de R$ 40 bilhões foram oriundos da captação de entes do poder público.


Para Ambrósio, o setor de fundos tende a seguir atraindo novos recursos ao longo do ano, talvez não na mesma magnitude que se observou no primeiro trimestre.


"O corte da taxa de juros e a expectativa de potencial aceleração são fatores positivos que podem acentuar ou confirmar essa tendência", afirmou. "O cenário político, a eleição de 2018, mostra um cenário não muito claro. Ainda pode gerar volatilidade, mas o econômico está na direção correta."


Os fundos de ações de empresas de menor capitalização no mercado ("small caps") são destaque de rentabilidade no ano, com ganhos de 13,65%, seguidos pelas carteiras de ações com foco em dividendos, com valorização média de 9,49% até março. Os fundos de ações ativos e livres ganharam 8,92% e 8,91%, respectivamente.


"Quase todas as classes ficaram próximas ou superaram os índices de referência, diferentemente de 2016, quando o cenário ainda estava incerto e vários gestores não estavam com 100% da alocação", disse Ambrósio. "Agora o que se vê é a alocação mais próxima do mandato total e a performance mais próxima dos índices."


Os multimercados com estratégia macro ganham no ano 5,88%, seguidos pelos portfólios de arbitragem ("long/short direcional"), com valorização média de 4,79%. Em renda fixa, o destaque é das carteiras de renda fixa duração alta grau de investimento, com alta de 3,46% até março.

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