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Temer devolve comando da Camex ao Ministério da Indústria

O comando da Câmara de Comércio Exterior (Camex) mudou novamente de endereço. Um decreto presidencial publicado na edição desta terça-feira (11) do Diário Oficial da União (DOU) devolve a secretaria-executiva do colegiado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). A secretaria havia sido transferida ao Itamaraty no início do governo Michel Temer, em uma tentativa de anabolizar a pasta comandada pelo ex-chanceler José Serra (PSDB-SP).


Desidratado no ano passado, o Mdic recebeu não só a Camex de volta, mas saiu fortalecido com outra decisão recente: a absorção da Secretaria de Aquicultura e Pesca (antes vinculada ao Ministério da Agricultura) e do programa para micro e pequenas empresas Bem Mais Simples (que era da Presidência da República).


No balanço de forças do governo, trata-se de um nítido fortalecimento do ministro Marcos Pereira e do PRB, partido do qual ele é presidente licenciado. A legenda tem 24 deputados, é uma das mais fieis na base aliada de Temer e pode ser crucial na aprovação das reformas.


O Valor apurou que sete parlamentares já comunicaram à cúpula do PRB que devem votar contra a reforma da Previdência. Trata-se, agora, de fazer um esforço concentrado em busca dos outros 17 votos. Isso depende não só de ajustes do texto-base das mudanças previdenciárias, mas também de dar mais prestígio ao partido na Esplanada dos Ministérios.


Antes visto como um estranho no setor, Pereira ganhou bom trânsito no empresariado e é bem avaliado no Planalto. Ele já havia sido contemplado com o retorno da Camex ao Mdic, no início de março, quando Serra pediu demissão e foi substituído pelo senador tucano Aloysio Nunes no Itamaraty.


A mudança, no entanto, durou horas. Nunes não fora avisado previamente da perda do órgão e ficou furioso. Ameaçou até não tomar posse e Temer determinou a publicação de um novo decreto suspendendo a transferência da Camex para o Mdic, que agora se concretiza. A atual secretária-executiva do colegiado, Tatiana Rosito, deve perder o cargo. Diplomata de carreira e ministra de segunda classe (um degrau antes de embaixadora), ela tinha a confiança de Serra.


Havia críticas veladas, no setor privado, sobre a falta de iniciativa da Camex sob o Itamaraty. O conselho de ministros se reuniu uma única vez e houve "trapalhadas" do órgão, como a queda das tarifas de importação do café importação. A decisão precisou ser revertida por ordem do próprio Temer.

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