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Paulo Cesena: Odebrecht Transport apoiou criação do partido de Kassab

Em depoimento prestado ao Ministério Público Federal (MPF), o ex-presidente da Odebrecht Transport (OTP), empresa de infraestrutura do grupo Odebrecht, Paulo Cesena, informou que a empresa pagou R$ 14 milhões a Gilberto Kassab, atual ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do governo de Michel Temer.


Segundo o executivo, o montante foi pago a Kassab ao longo de 2013 e 2014 e se destinava a financiar o plano que o ministro tinha na época de montar um novo partido político, o PSD (Partido da Social Democrático).


A decisão de repassar o valor a Kassab, considerado "relevante" por Cesena, foi de Benedicto Júnior, o BJ, na época diretor da Odebrecht Infraestrutura e chefe do setor de operações estruturadas.


Cesena disse que foi informado por BJ em um encontro na sede da CNO (Construtora Norberto Odebrecht), no Rio. O argumento era que Kassab estava criando um novo partido, que poderia ser uma alternativa política importante para a OTP e para o grupo Odebrecht.


A aposta em Kassab, cujo pedido na Odebrecht recebeu o codinome de "Projeto" (criação do partido), seria uma forma de o grupo não ficar dependente do PT e do PMDB.


Tratava-se, como narra Cesena, de uma "sensibilidade e estratégia política" de BJ.


Segundo Benedicto Júnior, "a OTP tinha parte importante de seu faturamento em São Paulo, estado de origem de Kassab". Alegou que o político tinha em sua plataforma interesse em desenvolver projetos na área de mobilidade urbana, o que justificava alocar os R$ 14 milhões no centro de custos da OTP.


Cesena informa que, em 2015, quando Kassab assume o Ministério das Cidades, no segundo governo de Dilma Rousseff, ele orientou seus executivos a se aproximarem do ministério, buscando influências na área de mobilidade urbana.


A OTP era e é controladora da Supervia, no Rio, que opera o sistema de trens urbanos, e em São Paulo é a maior acionista do consórcio Move São Paulo, responsável pela construção e exploração da linha 6 do metrô.


No Ministério das Cidades, relata Cesena, a OTP conseguiu dois pleitos de interesse da empresa: o enquadramento de uma debênture de infraestrutura, no valor de R$ 1 bilhão, para a linha 6 do metrô, e também para uma linha de financiamento, dentro do Programa de Transportes, o Pró-Transporte, de R$ 450 milhões, para a Supervia.


Embora enquadrados no ministério, ambos os pleitos não passaram dessa fase, informou o ex-presidente da OTP. De qualquer forma, destacou, foi fundamental a ação junto ao ministro para o enquadramento dos dois projetos da companhia.


No caso da linha 6 do metrô paulista, a debênture, que tinha incentivos fiscais, dependia da liberação de financiamento o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


O banco de fomento suspendeu a análise do pedido de empréstimo quando as investigações da Operação Lava-Jato foram intensificadas e a Odebrecht passou a ser alvo da operação. Assim, o projeto da nova linha de metrô lançado pelo governador Geraldo Alckmin não saiu do papel.


A Supervia, por sua vez, não pôde acessar os R$ 450 milhões, pois o financiamento seria feito pela Caixa Econômica Federal. A instituição decidiu não conceder a liberação dos recursos.

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