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Bolsa e dólar têm dia mais positivo com dados econômicos

O mercado de ações brasileiro encontrou, em dados econômicos e corporativos divulgados nesta segunda-feira (17), motivos para adotar um tom um pouco mais positivo quanto às perspectivas de retomada do país.


Com a divulgação de que o índice de atividade medido pelo Banco Central avançou mais do que o esperado em fevereiro, e amanutenção da expectativa de corte de um ponto percentual na taxa básica de juros em maio, os bancos lideravam os ganhos na bolsa de valores, seguidos pelas construtoras.


A média móvel trimestral do IBC-Br, visto como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), ficou em 0,62% em fevereiro, superior aos 0,60% da previsão de especialistas consultados pelo Valor Data. A pesquisa Focus, também realizada e divulgada pelo BC, mostrou que os economistas seguem apostando que a Selic será reduzida de 11,25% para 10,25% ao ano no mês que vem.


O Ibovespa subia 1,46%, para 63.746 pontos, às 13h28.


A Usiminas PNA lidera as altas (6,22%). Números do balanço trimestral da companhia siderúrgica vazaram antes da divulgação oficial, marcada para o próximo dia 20, e dão conta de que, entre janeiro e março deste ano, o lucro da companhia ficou próximo de R$ 110 milhões ? trata-se do primeiro ganho depois de dez trimestres consecutivos de prejuízos.


Completam as maiores altas do horário Smiles ON (4,62%), Estácio ON (4,57%), Cemig PN (4,55%) e Brasil ON (4,22%).


Os investidores também seguem atentos aos desdobramentos da crise política com a repercussão das delações dos executivos da construtora Odebrecht. A principal preocupação diz respeito aos efeitos do escândalo sobre a governabilidade do país e os trâmites da reforma da Previdência Social, vista como condição essencial para garantir o crescimento sustentável do Brasil no futuro.


O noticiário político continua afetando a Braskem: o papel PNA caía 3,63%. Outras quedas expressivas do horário são Fibria ON (-3,75%), Vale ON (-2,22%), Vale PNA (-1,90%) e Suzano PNA (-1,66%).


Câmbio


A sinalização do Banco Central de que o mercado seguirá munido de swap cambial pressiona o dólar ao nível de R$ 3,10 nesta segunda-feira. A instituição indica que o próximo lote dos contratos, que servem de proteção ("hedge") aos investidores, será integralmente rolado para outras datas. Isso significa que, diferentemente de meses anteriores, o estoque de swap cambial não será reduzido, nem a liquidez no sistema.


Embora tenham mostrado surpresa com a estratégia, os agentes financeiros entendem que o aumento das tensões geopolíticas no exterior e dos riscos relacionados à Lava-Jato por aqui justificam o posicionamento mais cauteloso da autoridade monetária.


"Estamos numa janela de risco político, que pode ter motivado o Banco Central a fazer uma intervenção menor no câmbio [em comparação com rolagem parcial]", diz Roberto Serra, sócio e gestor na Absolute Investimentos. Ainda que o movimento no câmbio hoje seja mais acentuado, a tendência é de que se acomode nos próximos dias, acrescenta.


Às 13h44, o dólar comercial cai 1,37%, cotado a R$ 3,1032. No menor nível do dia, o dólar cedeu 1,47%, a R$ 3,1000, marcando o valor mais baixo em mais de duas semanas, quando marcou R$ 3,083 na sessão de 5 de abril. Já a variação registrada nesta mínima foi a mais acentuada desde a baixa de 2,11% na sessão de 15 de março.


O contrato futuro de maio, por sua vez, recua 1,36%, a R$ 3,1115, após cair até R$ 3,1090 (-1,44%).


"O ambiente geopolítico preocupante somado a delações no Brasil em meio ao andamento da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara são fatores que poderiam elevar ainda mais a volatilidade, algo indesejado pelo BC. Assim, há atuação mais cautelosa, com rolagem integral", afirma o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior.


Hoje, o Banco Central iniciou a rolagem com leilão de 16 mil contratos de swap cambial tradicional (equivalentes a US$ 800 milhões), que, por ora, vencem em maio. A autoridade monetária diz que o montante de 16 mil contratos se trata de um "lote inicial".


Juros


O ambiente mais tranquilo no exterior abre caminho para que atenções no mercado de renda fixa se voltem para sinais desinflacionários no Brasil. O recuo nos juros futuros, principalmente nos vencimentos mais curtos, é direcionado hoje pela percepção de baixa inflação no país, após ajuste nas estimativas para o IPCA no Focus e queda no IGP-10 de março. Os agentes financeiros aguardam, assim, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulga amanhã (18).


"Por termos a divulgação da ata amanhã, o mercado parece se concentrar um pouco mais nos cenários de queda da Selic durante o ano de 2017, reduzindo os prêmios que havia colocado na última quinta-feira", diz Matheus Gallina, trader de renda fixa da Quantitas. O profissional lembra que, na semana passada, o mercado acabou operando tecnicamente o dia de aversão ao risco global diante do aumento de tensões geopolíticas.




Às 13h51, o DI janeiro de 2018 cai a 9,640%, ante 9,650% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2019 recua a 9,440%, ante 9,460%. O DI janeiro de 2021, por sua vez, opera a 9,930%, ante 9,950% no ajuste anterior.


Já na arena política, as atenções se voltam para a apresentação, prevista para amanhã, do parecer do relator da reforma da previdência. As novidades da Lava-Jato e preocupações com impacto na Previdência mantêm os investidores um pouco mais cautelosos.

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