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Bolsa cai e dólar sobe em meio a dúvidas sobre reforma da Previdência

A cautela dá o tom no mercado de ações brasileiro nesta quarta-feira (19), enquanto a comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a reforma do sistema de Previdência Social inicia o debate sobre a proposta definitiva.


Após concessões importantes, apenas 57% do projeto inicial da administração Michel Temer foram preservados, segundo relatório enviado hoje pelo banco Itaú a clientes.


Enquanto a base aliada queria votar o texto na semana que vem, o governo e a oposição fizeram acordo para submeter o parecer da reforma ao escrutínio dos parlamentares somente em 2 de maio, abrindo espaço para uma ampla discussão das medidas.


"O tempo político é diferente do tempo do mercado", disse Vitor Suzaki, analista da corretora Lerosa Investimentos em São Paulo. "Ainda se aposta na aprovação da reforma mas, até que o projeto efetivamente saia, ainda vai haver uma ponta de preocupação entre os investidores."


O Ibovespa perdia 0,33%, com 63.944 pontos, às 13h33.


A maior queda do horário ficava por conta da administradora de shopping centers BR Malls (- 3,10%), seguida pelas construtoras Cyrela (-3,08%) e MRV (-2,34%). Na sequência das maiores quedas, Marfrig (-2,31%) e BMFBovespa (-2,08%).


Já as altas eram capitaneadas por Usiminas (4,29%), Qualicorp (3,27%), Metalúrgica Gerdau (2,68%), Pão de Açúcar (2,31%) e Vale (1,73%). Essa última foi favorecida pela interrupção da derrocada do minério de ferro.


Dólar


O dólar avança ao nível de R$ 3,14 nesta quarta-feira, após oscilar próximo da estabilidade no começo do dia. O movimento é atribuído à busca por proteção enquanto os investidores aguardam a leitura do texto da reforma da Previdência, que só deve ocorrer após as 18h.


Hoje, o governo e a oposição fizeram acordo para adiar para dia 2 de maio a votação do parecer do deputado Arthur Maia (PPS-BA) na comissão especial da Câmara que discute a reforma.


Por volta das 13h40, o dólar comercial avança 0,93%, cotado a R$ 3,1421, máxima do dia. Já o contrato futuro para maio tinha elevação de 1,08%, a R$ 3,1485, com valor mais alto no dia de R$ 3,1495.


O Banco Central continuou com a operação de rolagem de contratos de swap cambial tradicional que venceriam em maio. A sinalização da instituição de que manterá a liquidez do sistema, com a postergação integral do lote, vinha contribuindo para a pressão de baixa no dólar nos últimos dias. Nesta quarta-feira, entretanto, essa influência sucumbiu a cautela doméstica.


Juros


O prêmio de risco exigido pelos investidores de renda fixa aumentou ao longo da manhã desta quarta-feira. Prevalece a cautela no mercado enquanto os agentes financeiros aguardam a apresentação do texto da reforma da Previdência. Ainda que grande parte dos ajustes na proposta já tenha ocupado o noticiário, o posicionamento é mais defensivo contra surpresas negativas e manifestações contrárias ao projeto entre os parlamentares.


Às 13h46, o DI janeiro 2018 opera a 9,550%, ante 9,535% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2019 marca 9,370%, ante 9,350%. Já o DI janeiro de 2021 exibe 9,940%, ante 9,880% no ajuste anterior.


Por outro lado, o mercado de renda fixa trabalha também com novos sinais de fraqueza inflacionária, que segue pressionando vencimentos mais curtos um dia após a divulgação da última ata do Copom. A percepção entre investidores é de que há possibilidade de intensificação do corte da Selic, o que já direcionou ontem apostas de redução de 1,25 ponto percentual da taxa básica de juros na reunião do Comitê em maio.

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