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Dólar fecha na máxima em quase dois meses com exterior e cena política

O dólar fechou no maior patamar em quase dois meses frente ao real nesta quarta-feira, chegando no pico do dia a superar a marca de R$ 3,20, nas máximas desde janeiro. O mercado de câmbio sentiu novamente as incertezas no campo fiscal doméstico, mas hoje foi pressionado sobretudo pelo ambiente externo de dólar mais forte, que acabou golpeando várias divisas emergentes.


No centro dessa correção está a ideia de que alguns elementos do "Trump trade" podem estar de volta. Essa expressão diz respeito a apostas construídas com base na expectativa de que um expansionismo fiscal nos EUA poderia dar fôlego adicional à economia americana, abrindo caminho para mais altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, BC americano).


Ainda não se discutem elevações adicionais de taxas pelo Fed, mas os discursos recentes de Donald Trump no sentido de afrouxar a política fiscal sinalizam que o presidente tentará emplacar essa agenda, o que mantém no radar chances de reflação e, por tabela, de juros mais altos.


No fechamento, o dólar comercial subiu 0,70%, a R$ 3,1724. É o maior patamar de encerramento desde 9 de março, quando a moeda terminou a R$ 3,1950. Na máxima, a cotação foi a R$ 3,2071, pico desde 19 de janeiro (R$ 3,2313).


No mercado futuro, o dólar para maio tinha alta de 0,79%, a R$ 3,1750, após alcançar R$ 3,2095. Profissionais dizem que operações ligadas à formação da Ptax de fechamento do mês devem adicionar mais pressão de alta sobre o dólar até sexta-feira.


A força do dólar levou a moeda a romper ou se aproximar de algumas importantes resistências técnicas, o que acabou atraindo vendas. Na máxima do dia, de R$ 3,2071, a moeda superou a média móvel de 100 dias, de R$ 3,188786. Ao mesmo tempo, flertou com a média de 200 dias, de R$ 3,21917.


"Estamos esperando o dólar subir para perto de R$ 3,25, R$ 3,30 para voltar à ponta de venda", diz Arnaldo Curvello, da Ativa Wealth Management. Para ele, apesar dos ruídos fiscais, a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária ainda é o cenário-base e, quando confirmada, dará conforto para o mercado voltar a operar com dólar mais próximo de R$ 3.


No exterior, o peso mexicano e o dólar canadense voltaram a mostrar quedas importantes, pressionados por receios de que os EUA saiam do Nafta, o acordo de livre comércio entre os três países.

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