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Ibovespa opera estável de olho em reformas; dólar ronda R$ 3,20



Em meio à cautela com o andamento das reformas propostas pelo presidente Michel Temer para reanimar a economia brasileira, os investidores na bolsa local encontraram hoje no setor bancário algum alívio. O Ibovespa, no entanto, opera perto da estabilidade.


As instituições financeiras, que começaram o pregão em queda, passaram a subir após a divulgação, pelo Banco Central (BC), de indicadores mostrando que as concessões de crédito subiram 30,5% em março no país.


Outra boa notícia veio do balanço do primeiro trimestre do Santander Brasil, que saiu muito melhor do que os analistas esperavam. O lucro líquido da filial brasileira do maior banco espanhol cresceu 37,3%, para R$ 2,280 bilhões, de janeiro a março em comparação com o mesmo intervalo de 2016.


"É notável que, ainda em um cenário de recessão, o Santander tenha conseguido desempenho tão positivo", disse Felipe Silveira, analista da corretora Coinvalores, em entrevista por telefone de São Paulo. "Esses números fazem os investidores anteciparem que os resultados dos demais bancos também devem vir bons."


Assim, na única alta entre grupos setoriais, o Índice Financeiro da B3 ganhava 0,26%. O Santander liderava essa elevação, subindo 1,53%, para R$ 26,60. O Ibovespa recuava 0,28%, para 64.966 pontos, já tendo subido 0,44% na máxima da primeira metade do pregão e caído 0,72% na mínima.


Entre as quedas, destacava-se a Fibria, que, por sua vez, divulgou um balanço decepcionante. O lucro líquido da companhia, que produz papel e celulose, caiu 67% nos três primeiros meses deste ano ante 2016, para R$ 326,7 milhões. Sua ação perdia 1,66%, a R$ 28,47.


À tarde, as atenções estarão concentradas na proposta da reforma trabalhista, que deve ser votada na Câmara dos Deputados. O placar deve servir como um termômetro da força do governo em conseguir passar os projetos considerados essenciais para garantir o crescimento sustentável do Brasil no futuro.


Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump também deve anunciar a sua reforma tributária. Como o país é o segundo parceiro comercial mais importante do Brasil, o fortalecimento da economia americana também pode dar um impulso às negociações de ações na bolsa. Os investidores estrangeiros respondem, atualmente, por cerca de 51% das transações no mercado brasileiro, segundo dados da B3.


Dólar


O dólar amplia o avanço ante o real nesta quarta-feira e ronda R$ 3,20. O ganho acumulado em duas sessões, até a máxima de hoje, chega assim a 2,41%, o que só foi superado uma ocasião neste ano. A posição mais defensiva dos investidores é justificada por preocupações com o apoio parlamentar às propostas do governo poucos dias antes das votações da reforma da Previdência na Câmara.


Hoje, o novo "teste de fogo" do governo vem com a reforma trabalhista, que será colocada em votação na Câmara. A medida precisa de maioria simples, de 257 votos, para ser aprovada na Câmara. No entanto, o mercado observará de perto a votação para ver se a proposta terá apoio de, pelo menos, 308 deputados. Este é o mínimo de votos necessário para a aprovação da reforma da Previdência.


A confiança dos investidores já vem abalada por sinais de fragmentação da base aliada do governo, após a decisão da cúpula do PSB em fechar posição contra as reformas. Como aponta a edição de hoje do Valor, pelo menos quatro partidos (PSDB, PR, PRB e o PSD) sinalizaram para o Palácio do Planalto que talvez não consigam os votos necessários para assegurar a aprovação da proposta previdenciária, mesmo com todas as concessões já feitas pelo governo.


Ontem o alerta aumentou ainda com a derrota do governo na votação de uma das principais emendas do projeto de recuperação fiscal dos Estados. Os deputados não evitaram a retirada da contrapartida de elevação da alíquota de Previdência Social dos servidores estaduais para 14%, além de alíquota adicional e temporária se necessário.


"O mercado precisa de uma sinalização positiva do Congresso e do governo para operar de maneira mais firme", diz o operador de uma corretora nacional. Para o especialista, a expectativa segue de aprovação da reforma da Previdência, mas "a cada derrota do governo ou sinal de fraqueza aumenta o temor de uma desidratação maior da proposta".


Às 13h30, o dólar comercial subia 1,55%, cotado a R$ 3,1991, mas chegou a superar R$ 3,20.


O contrato futuro para maio, por sua vez, tinha elevação de 1,67%, a R$ 3,2025. De acordo com operadores, este é um nível importante em termos gráficos, que, se superado, pode abrir caminho para movimento mais acentuado.


A desvalorização do câmbio brasileiro só não é pior que do rublo russo e o rand sul-africano. A moeda da Rússia é mais afetada pela volatilidade dos preços de petróleo e a divisa da África do Sul é alvo de vendas antes de um feriado nacional, na quinta-feira. A queda do peso mexicano também é bem próxima da moeda brasileira.


Vale destacar que a pressão de alta no dólar vem do exterior, de maneira quase generalizada. Em movimento semelhante ao "Trump trade", os investidores operam com alta na divisa dos EUA e dos juros dos Treasuries, enquanto acompanham a reforma do presidente americano, Donald Trump. A iniciativa, que será detalhada nesta tarde, prevê redução para 15% da taxa dos impostos corporativos, um corte mais profundo do que o sugerido pelos deputados republicanos.


Juros


Os prêmios de risco no mercado de renda fixa aumentam nesta quarta-feira. Os investidores temem que os sinais de fragmentação da base aliada do governo no Congresso pode significar mais concessões e enfraquecimento das propostas reformistas. Hoje, o novo teste do governo vem com a reforma trabalhista, que está colocada em votação na Câmara. A aprovação da medida e o número de votos trazem sinais importantes para avaliar o respaldo para outras medidas, como as novas regras previdenciárias.


ODI janeiro de 2021 avançava a 10,120%, ante 10,060% no ajuste anterior. Na máxima, a taxa subiu até 10,160%, maior valor registrado numa sessão desde 10 de março, quando tocou 10,180%. Este é o ativo mais negativo até o momento, com 180 mil contratos trocando de mãos.


Entre vencimentos de prazos mais longos, o DI janeiro de 2023 marcava 10,420%, ante 10,360%, e o DI janeiro de 2025 operava a 10,570%, ante 10,500%.


O DI janeiro de 2018 estava em 9,525%, ante 9,530%, e o DI janeiro de 2019 marcava 9,430%, ante 9,420%.

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