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Intelectuais lançam manifesto com críticas ao governo Temer

Um grupo de intelectuais, juristas, políticos e artistas lançou hoje, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no centro da capital paulista, o Projeto Brasil Nação. Trata-se de um manifesto idealizado pelo ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira com críticas ao governo federal e propostas de mudança na política econômica. Suas principais diretrizes sugerem uma maior presença do Estado na economia.


Entre os cinco pilares do que chamou de manifesto inaugural, Bresser Pereira propõe o aumento do investimento público para estimular a economia, a instituição de impostos progressivos, superávit na conta corrente do balanço de pagamentos para buscar uma taxa de câmbio competitiva, juros mais baixos e compatíveis com países em desenvolvimento como o Brasil e regra fiscal para buscar uma atuação contracíclica do gasto público.


O ex-ministro disse que a ideia do manifesto é criticar o governo e apontar caminhos para a retomada do desenvolvimento. "Existe uma alternativa às políticas populistas de direita e também da esquerda", afirmou o economista, último a discursar em um ato que reuniu estudantes, professores, intelectuais e parlamentares do PT e do PCdoB. "Sofremos uma derrota com o fracasso do governo Dilma [Rousseff]. Isso fortaleceu a direita", reconheceu.


Bresser Pereira, no entanto, entende que Temer busca reduzir o tamanho do Estado brasileiro a qualquer custo e isso compromete os gastos e os investimentos públicos em saúde e educação e esvazia a ação de instituições de fomento, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre os principais colaboradores das propostas, Bresser Pereira citou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o ex-ministro e pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT).


"Precisamos de políticos como eles, capazes de comandar esse processo e retomar o desenvolvimento com justiça social. Isso pode ser feito", concluiu Bresser Pereira. Em seu breve discurso, Ciro afirmou que o Brasil vive um quadro de "tragédia social, econômica e cultural" e defendeu as ideias apresentadas durante o lançamento do projeto. O pedetista, no entanto, fez um mea culpa ao analisar o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.


"Não podemos esquecer que nós levamos a taxa de juros (Selic) para 14% e que nomeamos o [Joaquim] Levy. Fizemos isso com a melhor das intenções", declarou. Haddad não discursou. Os intelectuais e outros políticos também se revezaram no microfone. O economista Luiz Gonzaga Belluzzo disse que o manifesto representava um momento de união, enquanto o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim pregou uma "revolução pacífica" que permita uma mudança nas regras eleitorais.


O lançamento do manifesto ainda se transformou em um ato contra as reformas da Previdência e trabalhista, em tramitação no Congresso, e num chamamento para a greve -geral, programada em todo o país para esta sexta-feira. "Acho que a greve pode enterrar as reformas e o governo Temer", declarou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que reivindicou a antecipação das eleições gerais para outubro de 2017. O vereador Eduardo Suplicy (PT) reforçou o apelo.


Também assinaram o manifesto e compareceram ao ato, entre outros, o jurista Fábio Konder Comparato, a economista Leda Paulani, o escritor Raduan Nassar, a socióloga Maria Victoria Benevides e os deputados Carlos Zarattini (PT-SP), líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP) e a presidente da UNE, Carina Vitral.

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