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Debate sobre Previdência volta a trazer instabilidade ao mercado

O dólar mostra instabilidade no começo da tarde desta quarta-feira (3). Os investidores voltam a assumir postura um pouco mais defensiva, sinalizando incômodo com possíveis mudanças na reforma da Previdência. As emendas foram apresentadas na comissão especial da Câmara antes da votação do texto e podem ser retiradas até que se inicie a análise do parecer.


O dólar chegou a zerar as perdas assim que os destaques começaram a ser conhecidos. Em seguida, entretanto, a moeda retomou a queda. Às 13h55, o dólar recuava 0,16%, a R$ 3,1475, tendo caído até a mínima de R$ 3,1424 mais cedo. Por outro lado, a cotação ainda está distante da máxima, de R$ 3,1613, registrada logo nos primeiros negócios.


O contrato futuro para junho, por sua vez, perdia 0,13%, a R$ 3,1725, após oscilar entre R$ 3,1850 e R$ 3,1655.


A maioria dos destaques visa conceder benefícios adicionais aos policiais. Os acréscimos, caso mantidos, podem resultar numa desidratação adicional da reforma, mas também têm potencial de angariar mais apoio parlamentar à proposta.


A expectativa no mercado é de que o texto-base seja aprovado na comissão e, assim, siga para avaliação no plenário da Câmara. A grande dúvida reside justamente sobre este próximo passo, quando serão necessários 308 votos de deputados para a medida ser aprovada.


As atenções também se voltam para a decisão de política monetária do Federal Reserve, às 15h. A expectativa é de que a instituição mantenha os juros entre 0,75% e 1%. No entanto, o banco central americano pode sinalizar nova elevação da taxa na reunião de junho.


Juros


A contração da produção industrial alimenta o debate no mercado sobre a trajetória de flexibilização da taxa básica de juros. A queda da atividade em março (-1,8%) superou as expectativas e elevou a probabilidade de uma corte mais agressivo da Selic na próxima reunião do Copom, no fim do mês. No entanto, as incertezas no horizonte, como o encaminhamento da reforma da Previdência, ainda contêm as expectativas.


Por volta das 14h, o DI janeiro de 2018 caía a 9,390%, ante 9,440% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2019 marcava 9,280%, ante 9,310% na mesma base de comparação.


A probabilidade de um corte de 1,25 ponto percentual da Selic no próximo encontro do Copom supera 30%, conforme cálculos da Quantitas com base em juros futuros de curto prazo. Até então, o mercado vinha trabalhando com chance de 20% a 25% de um ritmo mais agressivo de flexibilização monetária.


No último encontro do Copom, a Selic foi reduzida em 1 ponto percentual, para 11,25% ao ano. Na ocasião, os membros do comitê chegaram a discutir um recuo maior na Selic por causa da conjuntura econômica, mas optou por manter o ritmo de 1 ponto por causa das incertezas que ainda pairam sobre a economia.


Por um lado, os indicadores de emprego, crédito e inflação continuam fracos, sinalizando espaço para a flexibilização monetária, mas as expectativas dos investidores são contidas pelas incertezas externas e na política.


O estrategista-chefe no Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, aponta que os índices de confiança têm avançado e podem melhorar o cenário para recuperação econômica. Para isso se concretizar, entretanto, é preciso avanço no fronte reformista do governo.


"A recuperação ainda é bastante gradual e lenta. A capacidade ociosa do país é elevada. Por isso, o BC tem espaço para cortar juros", acrescenta. "Há expectativa da recuperação da economia no horizonte, mas sem pressão inflacionária. A recuperação não deve vir do consumo, mas de investimento em infraestrutura e exportações", diz.


A variação nos juros futuros de prazos maiores é contida pela cautela com a cena política, com destaque para a reforma da Previdência.No horário acima, o DI janeiro de 2021 operava a 9,890%, ante 9,920% no ajuste anterior.


Bolsa


A cautela dá o tom no mercado de ações brasileiro nesta quarta-feira, enquanto os investidores analisam os últimos indicadores econômicos e balanços corporativos para afinar suas expectativas quanto à retomada da economia e os rumos da bolsa.


A queda acima do esperado daprodução industrialno país acirrou o debate sobre o ritmo da recuperação do país.


Entre as empresas, alguns resultados não estão conseguindo atender as elevadas expectativas acendidas por bancos e varejistas que anunciaram sólidos lucros trimestrais na semana passada - os do Itaú e da Cielo, por exemplo -, mas as surpresas positivas continuam impulsionando determinados papéis, como os da Multiplus.


O Ibovespa recuava 0,90%, para 66.118 pontos, às 14h10.


Entre as maiores quedas do horário estão Cielo ON (-5,56%), Vale ON (-5,31%), Gerdau PN (-5,27%), Bradespar PN (-5,17%), Santander Unit (-4,41%).


As ações da Vale seguiam a tendência das grandes mineradoras nos mercados globais diante das incertezas sobre o mercado de minério de ferro.


A Cielo cai após divulgar um avanço de 0,6% no lucro líquido nos três primeiros meses do ano, para R$ 1,069 bilhão. Segundo o Credit Suisse, esses números deixam claro que a competição no segmento está avançando.


Já entre as maiores altas destacam-se Embraer ON (4,67%), WEG ON (3,85%), Estácio ON (1,81%), Sabesp ON (1,71%) e Kroton ON (1,63%).

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