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Ibovespa sucumbe à queda de commodities e cai abaixo dos 65 mil pontos

A piora global no preço da commodities não deu trégua à bolsa de valores e inibiu uma possível reação positiva dos investidores à aprovação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados. O Ibovespa abandonou a marca dos 65 mil pontos e fechou com queda de 1,86% aos 64.863 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 9,19 bilhões e foi considerado alto.


De acordo com operadores, o aumento do giro de negócios foi reflexo de uma zeragem de posições. "Há um sentimento de descrença no mercado financeiro e as vendas aumentaram", diz Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da H.Commor DTVM. A queda das commodities também afetou o desempenho de outras bolsas de países emergentes. O índice Merval, da Argentina, caiu 1,46%, e o mercado da Rússia teve baixa de 1,38%.


Essa apreensão dos investidores com a derrocada das commodities também foi refletida pelo índice CBOE Brazil ETF Volatility - que mede a volatilidade implícita do iShares MSCI Brazil Capped ETF, composto por ações de empresas brasileiras - que subiu 6,79% para 32,26. Foi a maior alta em uma semana.


O dia já começou de maneira negativa para o mercado de ações brasileiro com o recuo de 5,1% no preço do minério de ferro, em Qingdao, na China, para US$ 65,20 a tonelada. A queda do Ibovespa ganhou força quando os contratos futuros de petróleo começaram a ser negociados e caíram mais de 4%. O contrato WTI com vencimento em junho fechou com baixa de 4,89% a US$ 45,48 o barril.


As duas principais ações ligadas às commodities, a Vale e a Petrobras, que respondem por 16,98% da composição do Ibovespa, sucumbiram à queda das matérias-primas e fecharam com forte queda. As ações PNA da Vale recuaram 3,82% e os papéis ordinários tiveram baixa de 3,69%. De acordo com operadores, os investidores começam a questionar qual seria o patamar justo para o preço do minério de ferro. "Com a queda do minério, nem o resultado positivo do balanço financeiro e nem a redução da dívida sustentam o preço da Vale", diz Santos. Os papéis PN da Petrobras recuaram 3,95% e as ações ordinárias caíram 2,70%.


A votação da reforma da Previdência foi apertada e trouxe dúvidas aos investidores. O texto passou com 23 votos a favor ? o governo esperava pelo menos 22 - e 14 contra. Partidos da base aliada do governo, como PSB, SD, Pros e PHS, orientaram os parlamentares a votar de forma contrária ao projeto. "A votação trouxe mais dúvidas aos investidores sobre a sua eficácia da reforma na redução do déficit fiscal", diz Santos. Há a percepção de que o governo terá de ceder ainda mais para conseguir os 308 votos em votação definitiva na Câmara.


Entre as ações mais negociadas, apenas três papéis fecharam em alta. As ações da Ambev subiram 2,53%, os papéis da Ultrapar ganharam 2,92% e as ações da Cielo subiram 0,96%. A Ambev divulgou hoje que teve queda de 20,4% no lucro líquido nos três primeiros meses deste ano ante o mesmo período de 2016, para R$ 2,199 bilhões. Entretanto, a comercialização de cerveja cresceu 3,4% nos meses de janeiro a março contra o mesmo período do ano passado, atingindo 20,5 milhões de hectolitros.


No primeiro dia de negociação na bolsa de valores, as ações ordinárias da construtora Tenda fecharam com alta de 80,20% a R$ 14,65. O JP Morgan fixou o preço-alvo para o papel em R$ 17 e o Bradesco informou que a cotação da ação possa alcançar os R$ 20.

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