Ibovespa se recupera com commodities; dólar tem leve queda

O algoz de ontem é o paladino de hoje na bolsa brasileira. Depois de derrubarem o Ibovespa na quinta-feira, são as empresas produtoras de commodities que lideram a sua recuperação nesta sexta.


Oito das 10 maiores altas no principal índice acionário do mercado local são de companhias do setor.


Enquanto, no mercado externo, o petróleo tem um dia de alta, beneficiando a Petrobras, a Vale e as siderúrgicas ignoram a segunda sessão consecutiva de derrocada do minério de ferro e sobem. Para analistas, a desvalorização de 10% da commodity em dois dias pode ser considerada "exagerada", baseada mais em especulação do que em variações na oferta e na demanda do produto.


Assim, o índice Bovespa subia 1,09%, para 65.567 pontos, às 13h30.


A ação preferencial da Petrobras avançava 3,38%, para R$ 14,06, e a ordinária subia 4,41%, a R$ 14,68. O petróleo tipo Brent com entrega em julho ganhava 2,07%, a US$ 49,38 o barril, na bolsa de Londres.


A Usiminas disparava 5,72%, para R$ 4,25, na maior elevação do Ibovespa. A Vale subia 2,91%, para R$ 25,15, na sua ação PN e 3,35%, a R$ 26,20, na ON.


"Desde que subiu para mais de US$ 90 a tonelada em meados de fevereiro, já se esperava que o minério de ferro voltasse a cair, porém a baixa acentuada das últimas semanas parece ter acontecido rápido demais", disse Flávio Conde, analista da consultora de pesquisa em ações Whatscall. "As altas dos papéis hoje indicam que os investidores estão apostando que o metal deve voltar a subir nos próximos dias, corrigindo um pouco desses excessos."


A divulgação de balanços trimestrais continua alimentando a opinião de que o Brasil se aproxima da recuperação da recessão.


O Magazine Luiza há pouco disparava 15,01%, para R$ 261,07, após informar que o seu lucro líquido passou de R$ 5,2 milhões no primeiro trimestre de 2016 para R$ 58,5 milhões no mesmo período deste ano.


A SulAmérica subia 4,63%, a R$ 17,84. Seu lucro líquido cresceu 21,4% nos três primeiros meses do ano contra igual período de 2016, para R$ 128,6 milhões.


A Ser Educacional ganhava 1,04%, a R$ 24,27, com o aumento de 8,3% da sua receita líquida no intervalo de janeiro a março, para R$ 308,8 milhões.


Os números acerca do mercado de trabalho nos Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil e locomotiva do crescimento mundial, contribuíam para os ganhos de hoje.


A economia americana criou 211 mil vagas de emprego em abril, mais do que as 188 mil esperadas, segundo divulgado pelo Departamento do Trabalho nesta manhã. Dessa maneira, a taxa de emprego no país caiu para de 4,5% em março para 4,4% no mês passado, ficando abaixo dos 4,6% esperados.


Esses números também reforçam a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, vá prosseguir na sua estratégia de elevação dos juros de forma parcimoniosa, como esperado.


"A autoridade monetária dos EUA tem sido muito clara na comunicação das suas visões ao mercado, e dados que reforçam as expectativas contribuem para manter o investidor tranquilo", disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management.


Ao longo da tarde, pronunciamentos de vários dirigentes do Fed podem dar mais pistas acerca dos próximos passos da instituição e por isso serão acompanhados de perto.


Dólar


O dólar volta a cair nesta sexta-feira, após dois dias seguidos de alta. A reversão de sinal é decorrente de um ambiente externo mais favorável a emergentes. Principal indicador econômico do dia, o relatório de empregos dos Estados Unidos reforçou a leitura de que o Federal Reserve segue no caminho de um aperto monetário em junho, mas não há sinais inflacionários que justificariam uma intensificação das altas de juros por lá.


O documento americano mostrou geração de vagas acima do esperado em abril. Por outro lado, o ganho salarial por hora ainda não é forte o suficiente para impulsionar a inflação no país. "O fato de que ainda estamos com alguma distância do crescimento de salário de 3% significa que não há pressão real para o Fed acelerar o ritmo de elevação de juros", diz o economista sênior do ING, James Knightley, em nota.


Grande parte do mercado segue apostando em mais duas altas de juros nos EUA neste ano. Outros movimentos adicionais, que trazem sinal de alerta entre emergentes, parecem pouco prováveis, por ora. Para o estrategista-chefe de câmbio na Julius Baer, David Kohl, o aumento de juros em junho já está precificado e não deve gerar turbulência para o mercado. "No começo do ano, os mercados emergentes estavam se prontificando para quatro elevações de juros. Agora, a expectativa é de mais dois apertos. É um alívio, e os emergentes estão se beneficiando disso", acrescenta.


Hoje, os investidores ainda acompanham os pronunciamentos de uma série de dirigentes do Federal Reserve, que podem trazer novos elementos para discussão sobre política monetária.


O vaivém das commodities já trouxe tanta turbulência nas moedas, como na quinta-feira. "Ainda que a ampla queda nos preços das matérias primas tenha afetado os mercados financeiros [nesta semana], é pouco provável que tenha grande efeito na perspectiva macroeconômica dos emergentes", diz o economista-chefe para mercados emergente na Capital Economics, Neil Shearing. O especialista aponta que essas economias estão menos vulneráveis a deterioração dos termos de troca, diante da diminuição dos déficits em conta corrente ante períodos anteriores.


Às 13h30, o dólar comercial recuava 0,02%, a R$ 3,1818, distante da mínima de R$ 3,1690 (-0,42%).


Por aqui, as atenções continuam voltadas aos esforços do governo para aprovar a reforma da Previdência. O Planalto ainda precisa assegurar os 308 necessários à aprovação no plenário e uma sobra de votos que permita absorver eventuais traições. Diante desse esforço, é possível que a votação tenha algum atraso, algo que gera incerteza e incomoda o mercado.


Conforme escrito no Valor, o calendário do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) permanece o mesmo - aprovar tudo neste semestre, inclusive no Senado -, mas a tendência é que só no fim de agosto, início de setembro a votação venha a ser concluída no Senado.


O sócio e gestor na Absolute Investimentos, Roberto Serra, aponta que há um equilíbrio de pressões domésticas, que só deve mudar nas vésperas da votação. "As forças de busca por hedge na moeda para posições em renda fixa acabam se equilibrando com uma ponta mais otimista no real. E o câmbio fica mais fiel ao movimento externo", diz o profissional. "Como tem um grande evento pela frente, que gera uma certa angústia, é um período de baixa volatilidade e menor exposição no mercado", acrescenta.


A expectativa segue de aprovação da reforma da Previdência, embora a cautela continue a prevalecer entre os agentes financeiros. Serra destaca que "a aproximação do evento pode levar à redução de posição, a não ser que a antecipação de uma aprovação seja muito grande", algo pouco provável, por ora.


Juros


Os juros futuros operam em queda nesta sexta-feira, com menor percepção de risco entre emergentes. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021, por exemplo, volta a cair abaixo de 10% e devolve boa parte do avanço de ontem. O alívio é atribuído aos sinais de que a economia dos EUA ainda não justificaria um aperto monetário mais intenso pelo Federal Reserve.


ODI janeiro de 2018 opera a 9,410%, ante 9,440% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2019 marca 9,320%, ante 9,350%. Já o DI janeiro de 2021 exibe 9,980%, de 10,010% no ajuste anterior. O movimento também é beneficiado por uma recuperação nos preços de petróleo, a despeito de nova queda do minério de ferro.

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