Dallagnol reafirma que Operação Lava-Jato está sob ataque

O procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, disse, em entrevista na noite desta sexta-feira ao programa "Mariana Godoy Entrevista", da Rede TV", que a operação, está, de fato, sob ataque, comparando com a Operação Mãos Limpas, da Itália. "Está acontecendo no Brasil o que aconteceu na Itália. Lá existe uma grande investigação chamada 'Mãos Limpas', que identificou a corrupção vinculada a pessoas poderosas, especialmente a diversos legisladores", disse o procurador na entrevista gravada em Curitiba.


Dallagnol ressaltou que muitos dos investigados têm as leis nas mãos ou possuem grande influência sob o conteúdo da lei. "Vale lembrar que estamos falando sobre determinados parlamentares e líderes partidários. Chegamos a prender o ex-presidente da própria Câmara dos Deputados [Eduardo Cunha, do PMDB-RJ] e isso gera uma tensão porque é natural a reação de autoproteção, é do instinto humano e as pessoas que possuem as leis em suas mãos acabam esvaziando a punição", afirmou.


O procurador afirmou que o ex-ministro José Dirceu, solto da prisão por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira (2), deve voltar à prisão. "É provável que dentro de alguns meses o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que fica em Porto Alegre (RS), analise as sentenças que condenaram José Dirceu e confirmando essas sentenças, a tendência é que ele volte a ser recolhido para a prisão."


Dallagnol disse ainda que torce para que acabe o foro privilegiado, para ele algo que viola a igualdade, "um princípio básico republicano. "Ele foi criado originalmente para preservar as funções públicas às quais dependem a estabilidade econômica e política do país. E de quantas funções públicas depende a estabilidade econômica do Brasil? Hoje, o foro [privilegiado] está estendido a mais de 140 mil pessoas."


O procurador ressaltou que nosso sistema político hoje incentiva e gera crimes. "O político sai da mesma sociedade de onde saem jornalistas e procuradores, por exemplo. Eles não vêm de Marte. Só que quando entram lá existe um sistema que é muito pernicioso. As campanhas eleitorais são caríssimas e o universo de candidatos é muito grande", argumentou. "Quando você tem um número muito grande de pessoas competindo dentro de um mesmo local, para que a pessoa possa despontar nessa multidão, ela precisa gastar muito dinheiro", disse Dallagnol, quando perguntado sobre a corrupção na política.


Sobre o futuro da Lava Jato, Dallagnol acredita que estamos em um momento muito propício à transformação, com pesquisas apontando que a população vê a corrupção como o principal problema do país. "Esse é o momento de mudar, ou muda agora ou não muda mais. Depois que passa o escândalo você perde a energia para promover as reformas e as coisas continuam iguais. A sociedade está se engajando. Além das manifestações de rua, vemos muita gente engajada nas redes sociais, organizações também e em 2018 o eleitor vai poder, por meio do voto, mostrar que ele se preocupa com a corrupção. O fim da Lava-Jato é imprevisivel, a não ser que coloquem um fim nela."

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