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Ibovespa cai afetada por preço das commodities

O Ibovespa voltou a ter um dia negativo, numa sessão de baixo volume de negócios. Mais uma vez, foi a queda do minério de ferro que determinou a queda do índice, pressionado por papéis de grande peso, como Vale e Bradespar. Mas, apesar da baixa, há indícios de que a perspectiva para o mercado de ações está se tornando mais positiva, ainda que essas apostas fiquem ofuscadas pelo comportamento global das matérias-primas.


Desde a semana passada, os preços do minério de ferro e do petróleo estão em queda firme, o que explica a perda recente do Ibovespa: em maio, o índice cai 1,96%. Mas chama atenção o comportamento dos contratos em aberto de aluguel de ações, registrados na B3. Segundo dados da XP Investimentos, desde o dia 5 de abril, o volume caiu 15%, passando de 40 milhões para 33,9 milhões. Essa queda é uma demonstração de que o ambiente doméstico vem se tornando mais favorável para os ganhos das ações - seja por causa da possibilidade de aprovação da reforma da Previdência, seja por sinais de que a economia local começa a ingressar num cenário de retomada gradual.


"É uma redução das apostas na queda do Ibovespa. Também pode ser reflexo de um movimento de encerramento de opções no Ibovespa, que costuma estar alinhado ao aluguel de ações", diz Guilherme Felipe, chefe da mesa de BTC da XP Investimentos.


Uma das estratégias possíveis quando o investidor faz uma operação de aluguel de ações é a aposta de que o Ibovespa está caro. Nesse caso, ele aluga ações e vende os papéis para outro investidor. Quando o preço dos papéis cai, ele compra a ação mais barata para entregar ao doador do papel ? que fez o empréstimo. O que os números mostram, portanto, é que menos investidores têm feito essa aposta na queda do Ibovespa.


Outro indicador que reforça essa percepção de alta para o Ibovespa é que a volatilidade do índice está praticamente inalterada nos últimos 30 dias, o que mostra que os investidores não estão apostando em uma queda mais expressiva da bolsa de valores.


O índice CBOE Brazil ETF Volatility - que mede a volatilidade implícita do iShares MSCI Brazil Capped ETF, composto por ações de empresas brasileiras - estava em 31,45 pontos hoje, praticamente o mesmo patamar registrado em 10 de abril, que era de 31,50. Há um ano, esse indicador de volatilidade, que mede o grau de demanda por proteção contra uma queda futura, estava em 45,53.


"Esse movimento de menor volatilidade reflete um período de acomodação de preços. A volatilidade mais baixa também mostra que os investidores não estão apostando na queda da bolsa. Se houvesse uma tendência de queda, o índice de volatilidade estaria mais alto", diz Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.


O que tem nublado esse cenário mais favorável o comportamento global das commodities. E foi o que explicou hoje a queda de 0,28% aos 65.526 pontos do Ibovespa. O giro financeiro ficou em R$ 5,9 bilhões, abaixo da média diária do mês, que é de R$ 6,6 bilhões. As ações que mais caíram foram justamente às ligadas ao setor de commodities.


Os papéis PNA da Vale recuaram 0,80% e as ações ordinárias caíram 0,08%. O preço do minério de ferro caiu 2,6% no porto de Qingdao, na China, para US$ 60,15 a tonelada. Desde a segunda-feira, da semana passada, a cotação do minério já caiu 12,47%. Além disso, o Bradesco BBI reduziu o preço-alvo para os recibos de ações (ADRs) da mineradora de US$ 11,50 para US$ 11, mantendo a recomendação neutra para o papel. Hoje, os ADRs PN foram cotados a US$ 7,70.


As ações da Petrobras também fecharam em baixa, com os papéis ordinários recuando 0,61% e os preferenciais com queda de 0,91%. O preço dos contratos futuros de petróleo tipo Brent têm queda de 4,8% desde a semana passada e os contratos WTI recuam 2,58% no mesmo período.


Em um dia de poucos negócios na bolsa de valores, quatro ações foram responsáveis por 61% do giro financeiro do Ibovespa. Os papéis mais negociados foram as ações da Vale PNA, Petrobras PN, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. Todas essas ações fecharam em queda, o que explica a baixa do índice.


Como contraponto a esse movimento negativo, apareceu a Cosan, que subiu 2,92%, num movimento que limita a queda do índice. Na sexta-feira, o conselho de administração da empresa aprovou a distribuição de dividendos referentes ao ano passado, no valor de US$ 20 milhões, ou US$ 0,0755 por ação classe A e B. Em reais, o valor é de R$ 0,2399.


Os papéis da BB Seguridade tiveram alta de 2,37%. A empresa divulgou hoje que teve lucro líquido contábil de R$ 922,803 milhões no primeiro trimestre do ano, uma alta de 3,67% na comparação com o mesmo período do ano passado.


Na ponta oposta, as maiores quedas do dia ficaram com os papéis da Eletrobras. As ações PNB recuaram 4,46% para R$ 15,97 e os papéis ordinários tiveram baixa de 3,21%% para R$ 15,97. A empresa divulga o balanço financeiro do primeiro trimestre do ano na sexta-feira. Na semana passada, o Citi cortou o preço-alvo da ação ordinária para R$ 15,30 e as ações preferenciais para R$ 19 e recomendou a venda dos papéis.


As ações do sistema financeiro também fecharam em baixa, com destaque para os papéis do Banco do Brasil, que caíram 2,51%. Na sexta-feira, o Tesouro Nacional anunciou que pretende vender a participação de 3,67% do fundo soberano na instituição ao longo dos próximos 24 meses.

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