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Ibovespa sobe com balanços e Previdência; dólar cai com commodities

A bolsa de valores brasileira tem uma quarta-feira de alta com o avanço da reforma da Previdência Social, uma série de balanços corporativos animadores e dados de inflação que reforçam o otimismo quanto à queda dos juros no país.


O Ibovespa subia 1,43%, para 67.226 pontos, perto das 13h. Se o nível permanecer no fechamento, será o maior desde 23 de fevereiro, quando o índice alcançou 67,461 pontos.


Os contratos de juros futuros caem depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o indicador oficial de inflação do país desacelerou de 0,25% em março para 0,14% em abril, o menor nível para tal mês desde 1994. A projeção dos economistas era de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tivesse registrado uma elevação de 0,15% nos preços no mês passado.


Essa é uma boa notícia para as empresas que dependem da demanda interna. Embora a maior parte do mercado continue apostando em um corte da taxa Selic de um ponto percentual, para 10,25% ao ano, na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), já há analistas revisando as previsões para uma redução de 1,25 ponto percentual levando em conta os últimos indicadores econômicos divulgados e a melhora, no curto prazo, do cenário político nacional.


A fabricante de cosméticos Natura tem a maior alta do Índice Bovespa, ganhando, há pouco, 6,19%, a R$ 35,49.


A Metalúrgica Gerdau ganhava 3,44% há pouco, cotada a R$ 4,51, depois de informar ter registrado um lucro líquido de R$ 275 milhões entre janeiro e março, revertendo assim o prejuízo apurado no primeiro trimestre do ano passado. É o melhor desempenho do setor de commodities no mercado hoje.


A Telefônica Brasil subia 2,61%, para R$ 48,33, com o crescimento de 1,5% das suas receitas no primeiro trimestre deste ano contra o mesmo período de 2016, para R$ 10,59 bilhões.


Entre os resultados que decepcionaram, estão os da holding do setor elétrico Equatorial.


A empresa registra a maior queda do Ibovespa, de 3,45%, para R$ 53,78, após ver o seu lucro líquido despencar 64,4% no primeiro trimestre deste ano ante igual intervalo de 2016, para R$ 49,4 milhões.


A ofensiva do governo Michel Temer para angariar apoios ao projeto de mudança nas aposentadorias é bem visto pelos investidores.


Em discurso em evento em São Paulo, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, indicou que a administração federal já está mirando no Senado para conseguir aprovar a proposta.


"Precisamos mostrar aos senadores a importância da reforma da Previdência", disse.


Ontem, a comissão especial da Câmara dos Deputados encarregada da questão finalizou a análise de 10 destaques sugeridos para o projeto, aceitando apenas um - o que pedia que não fosse transferido da Justiça estadual para a federal o julgamento de pedidos de benefícios por acidente de trabalho, um ponto tido como de pouco impacto no efeito final da reforma. A proposta agora segue para o plenário da casa, onde a primeira etapa de votação deve acontecer entre a penúltima e a última semana de maio, de acordo com estimativas da consultoria de risco político Eurasia Group mencionadas em relatório a clientes.


Dólar


O dólar recua nesta quarta-feira ao ritmo mais intenso em mais de duas semanas. Nas mínimas da sessão, a divisa negociada no balcão registrou uma perda de 1%, o que não era visto desde o dia 24 do mês passado, quando chegou a cair 1,22%. O movimento é atribuído, principalmente, ao ambiente externo de recuperação nos preços de petróleo e valorização nas moedas emergentes.


Por volta das 13h00, o dólar comercial caía 0,92%, cotado a R$ 3,1550, tendo recuado até a mínima de R$ 3,1525 (-1,00%) no início da tarde. Este é o valor mais baixo desde a quarta-feira passada, quando a moeda girava no nível de R$ 3,1410.


O contrato futuro para junho, por sua vez, perde 1,17%, a R$ 3,1725, após ceder a R$ 3,1700 (-1,25%)no momento de maior fraqueza no dia.


A valorização dos emergentes se destaca nos mercados internacionais. Numa lista de 33 divisas, as moedas dessas praças tem os sete melhores desempenhos da sessão, com o real na sexta posição. A performance positiva é seguida por outras divisas ligadas a commodities, como as moedas da Austrália, Canadá e Nova Zelândia.


O movimento reflete o avanço, de aproximadamente 3,5%, nos contratos futuros de petróleo, diante de sinais de diminuição de estoques nos Estados Unidos.


O estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, destaca que a busca por moedas de maior risco ganha apoio também de comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, sobre a manutenção da política de estímulos. O dirigente disse mais cedo que manter nível significativo de acomodação ainda é necessário.


Por aqui, o andamento da reforma da Previdência no Congresso com rejeição de grande parte das emendas à proposta contribui para o cenário favorável ao câmbio brasileiro. Rostagno destaca que o noticiário político está um pouco mais positivo para a agenda reformista do governo. Entre os pontos em destaque, ele ressalta os esforços do Planalto junto a parlamentares para acelerar a tramitação das novas regras trabalhistas. "Seria um passo importante para avançar também com a reforma da Previdência na Câmara", explica.


Juros


O cenário doméstico de baixa inflação foi reforçado nesta quarta-feira por nova desaceleração no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), favorecendo o recuo nos juros futuros. O fraqueza nos preços, entretanto, ainda não conduz a um consenso no mercado em torno da trajetória da Selic. De olho no médio prazo, alguns especialistas preferem adotar uma postura mais cautelosa sobre os próximos cortes da taxa básica de juros, enquanto outros já enxergam justificativa para intensificação no ritmo de relaxamento monetário.


Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuam desde o começo da sessão, mas com variações ainda moderadas. Por volta das 13h, o DI janeiro de 2018 recuava a 9,300%, ante 9,350% no ajuste anterior, e DI janeiro de 2019 marcava a 9,150%, ante 9,200% na mesma base de comparação. Nas mínimas, os ativos recuaram até 9,290% e 9,140%, respectivamente.

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