Lula chega a Curitiba para interrogatório e se reúne com advogados

(Atualizada às 12h46)O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está "tranquilo, sereno e firme" para o depoimento ao juiz Sergio Moro nesta quarta-feira, segundo relatos de lideranças e parlamentares do PT que se reuniram com o petista pela manhã em Curitiba."Ele está muito tranquilo e sereno", afirmou o presidente nacional do PT, Rui Falcão. "Está preparado para fazer sua defesa, apesar do cerco que estão fazendo contra ele."


Rui Falcão criticou ainda a atuação da força-tarefa da Lava-Jato e disse que o ex-presidente é alvo de um conjunto de medidas judiciais arbitrárias."[Lula] é criminoso antecipado e agora querem achar o crime", criticou Falcão. Segundo o presidente do PT, as investigações contra o ex-presidente mostram a "parcialidade" dos juízes.


O presidente do PT reclamou também do "clima de guerra" criado em torno do depoimento de Lula ao juiz em Curitiba. "Deveria ser apenas mais um depoimento", afirmou.


Lula chegou a Curitiba por volta das 10h30 e foi recebido por lideranças petistas. O ex-presidente já se encontrou com a ex-presidente Dilma Rousseff, que veio à cidade para acompanhar o depoimento.


Cotada para presidir o PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) também conversou com Lula e reforçou que ele está "tranquilo e seguro". Gleisi criticou a "perseguição jurídica" contra o ex-presidente e disse que o juiz Sergio Moro tem se mostrado parcial nas investigações envolvendo Lula e o PT. "Se o juiz se mostra como parte do processo, quem julgará? É uma disputa judicial. É péssimo para o país", afirmou. "Esse processo é político."


O depoimento de Lula a Moro deve começar às 14h. No mesmo horário, petistas e movimentos sociais farão um ato em solidariedade a Lula no centro de Curitiba.O ex-presidente é réu na ação penal relacionada ao tríplex por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.


Em São Paulo, o ministroda Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, Torquato Jardim, avaliou, por sua vez, que ointerrogatório de Lula por Moro "não tem traços políticos", embora seja um evento de importante impacto nacional diante da proeminência das figuras envolvidas.


"Ele [Moro] é um juiz veterano, já tratou de questões complexas da mesma forma no passado e é um profissional muito reconhecido e merecidamente aplaudido. Agora, o discurso político a partir da condução técnica do processo é outra história, não há como ter controle", disse.Para o ministro, Moro deixou muito claro que a condução do processo é uma rotina "como qualquer outra" para os investigadores, com apenas o diferencial de que, agora, envolve um ex-presidente.



Jardim acrescentou que, apesar dos ânimos da opinião pública, espera que não haja "condenação prévia" do ex-presidente, já que "o valor civilizatório fundamental é a presunção de inocência". Ao mesmo tempo, ele espera que a Lava-Jato, ao atingir grandes nomes, represente um novo momento para a sociedade brasileira. "Este é um começo, um indicativo de uma nova fase", afirmou.

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