Eletrobras e BB evitam queda da Bovespa; dólar cai a R$ 3,14

As atenções dos investidores no mercado acionário brasileiro se dividem, hoje, entre boas notícias corporativas e o peso das commodities, sob o qual a Vale sucumbe.


Do lado positivo, estão a Eletrobras - que dispara depois de reportagem do Valor informar que o governo Michel Temer prepara uma reforma do sistema elétrico para desmontar a espinha dorsal do plano criado pela ex-presidente Dilma Rousseff com o objetivo de reduzir as contas de luz - e o Banco do Brasil, impulsionado pelos números do seu balanço do primeiro trimestre.


Amargando um dia de perdas,as produtoras de matérias-primas figuram entre as piores quedas do mercado, também por conta da desvalorização do dólar, que prejudica as suas receitas de exportação.


O Ibovespa subia 0,36%, para 67.595 pontos, às 13h15, já tendo avançado até 0,38% na máxima do dia até o momento e caído 0,24% na mínima. Trinta das 57 ações do índice recuavam.


O Índice de Materiais Básicos perdia 0,53%, na única queda entre sete grupos setoriais. A Vale, que responde por cerca de 8% do peso do Ibovespa, caía 1,11% na sua ação preferencial, a R$ 25,04, e 0,26% na ordinária, para R$ 26,49. O minério de ferro recuou 0,6%, para US$ 60,38 a tonelada, na China, maior consumidor mundial do metal.


A Suzano, que obtém a maior parte da sua receita de vendas no exterior, despencava 2,40%, para R$ 12,59.


Contrabalançando tais movimentos, o papel PN da Eletrobras subia 6,59%, para R$ 17,14, liderando as altas no Índice Bovespa, e a ação do Banco do Brasil ganhava 3,60%, a R$ 34,55. O lucro líquido da instituição cresceu 95,6% nos três primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período de 2016, para R$ 2,515 bilhões, embora sua carteira de crédito tenha encolhido 11,4% no mesmo período, para R$ 688 bilhões e sua taxa de inadimplência de curto prazo, avançado de 2,38% em dezembro para 3,01% no final de março.


Dólar


O dólar acumula queda pela terceira sessão seguida nesta quinta-feira, aproximando-se do nível de R$ 3,14. O mercado doméstico continua refletindo o ambiente favorável a moedas emergentes, diante da recuperação dos preços de petróleo. Por ora, também há uma trégua na cena doméstica enquanto os investidores aguardam novidades concretas da tramitação da reforma da Previdência no Congresso.


Profissionais de mercado aponta, entretanto, que a proximidade das votações da proposta na Câmara podem gerar volatilidade no mercado. A expectativa é o primeiro turno no plenário da Casa ocorra ainda em maio.


Por volta das 13h15, o dólar comercial caía 0,63%, cotado a R$ 3,1469.


O avanço nos preços das commodities segue amparando a valorização das moedas emergentes. Lá fora, o dólar cai ante o peso mexicano (-0,80%), o rublo russo (-0,70%), o rand sul-africano (-1,04%) e a lira turca (-0,08%), enquanto os contratos futuros de petróleo avançam aproximadamente 1,50% neste começo de tarde.


O chefe de pesquisa macroeconômica e commodity na Julius Baer, Norbert Rücker, destaca que o petróleo voltou a superar o nível de US$ 50 por barril, no caso do Brent, diante de notícias sobre a queda de estoques nos EUA e redução de oferta da Arábia na Ásia. "Vemos preços de petróleo negociando entre US$ 45 e US$ 50 por barril", aponta. "O excesso persistente de oferta e o renovado boom de xisto colocam em questão a eficácia do acordo de [controle de oferta] no Oriente Médio", alerta.


Mais cedo, o dólar reverteu a queda, oscilando por alguns minutos próximo da estabilidade, antes de retomar o recuo ante o real. Operadores atribuem o movimento a indicadores melhores que o esperado da economia dos Estados Unidos, que reforçam a leitura de aperto monetário em junho. Por outro lado, os ajustes no câmbio são apenas pontuais uma vez que o aumento de juros pelo Fed no mês que vem já está amplamente precificado.


De acordo com a CME Group, a chance de uma elevação nos Fed Funds, para o intervalo de 1,00% e 1,25%, está em 87,7% nesta quinta-feira.


"São ajustes residuais (no câmbio) apenas", diz o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor. "O posicionamento à 'certeza' de aumento dos juros em junho já foi quase que integralmente feito", acrescenta.


Juros


Os juros futuros estendem a trajetória de queda para a quinta sessão consecutiva, enquanto crescem as apostas de um corte mais agressivo da taxa básica de juros, a Selic. A probabilidade de uma redução de 1,25 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom já supera 50%. A diferença com a chance de manutenção do ritmo de corte ainda é pouco acentuada, mas tem crescido rapidamente nos últimos dias.


O DI janeiro de 2018 caía a 9,200%, ante 9,280% no ajuste anterior, e o DI janeiro de 2019 recuava a 9,030%, ante 9,120% na mesma base de comparação. Entre os vencimentos de curtíssimo prazo, o DI julho de 2017 operava a 10,475%, ante 10,503%.


O DI janeiro de 2021, por sua vez, estava em 9,760%, ante 9,810% no ajuste anterior.

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