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Petrobras e juros impulsionam Ibovespa; dólar recua

A bolsa brasileira caminha para o seu maior nível em quase três meses, impulsionada pela animação dos investidores com a Petrobras, que registrou no primeiro trimestre um lucro maior do que o previsto pelos analistas.


Depois de um ano do governo Michel Temer, a estatal produtora de petróleo viu o seu valor de mercado aumentar 39,3%, principalmente devido ao plano de corte de custos e desinvestimento que explica a reversão do prejuízo do primeiro trimestre de 2016 em um lucro de R$ 4,449 bilhões nos primeiros três meses de 2017.


Assim, a ação preferencial da companhia ganhava 4,18%, a R$ 15,45, enquanto a ordinária avançava 4,11%, para R$ 15,97, por volta das 13h50.


O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa local, subia 0,91%, para 68.149 pontos.


A maior alta do índice Bovespa era da Qualicorp, que disparava 11,33%, para R$ 27,62, depois de a sua receita da companhia nos três primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2016 crescer 11,5%, para R$ 507 milhões.


Na ponta das perdas, o destaque era a Lojas Americanas, que recuava 3,44%, para R$ 17,12, na pior baixa do índice de ações de referência. O prejuízo líquido da varejista aumentou mais de cinco vezes nos três primeiros meses de 2017 ante igual intervalo de 2016, para R$ 132,9 milhões.


A JBS recuava 3,01%, para R$ 10,96, depois de a Polícia Federal ter deflagrado uma operação para investigar empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao grupo frigorífico.


Juros


A expectativa de queda dos juros no país também alimentava apostas nas companhias brasileiras. Os contratos de juros futuros recuavam nesta sexta-feira, refletindo o aumento da perspectiva de um corte de juros de 1,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) do final deste mês.


As taxas prosseguiram na trajetória de queda observada ontem e, em alguns vencimentos, alcançaram níveis inéditos. O DI janeiro/2019, que concentra apostas sobre a extensão do ciclo de alívio monetário em curso, caiu abaixo dos 9% pela primeira vez desde que começou a ser negociado, refletindo o aumento das apostas dos agentes num ciclo mais intenso, como alguns analistas já preveem.


Às 13h50, esse contrato era negociado com taxa de 8,95%, ante 9,02% no ajuste de ontem. ODI janeiro/2018 era negociado a 9,14%, ante 9,18% ontem. E o DI de janeiro/2021 cedia de 9,74% para 9,66%.


Segundo o sócio e gestor da Modal Asset Management, Luiz Eduardo Portella, a aprovação do projeto da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara e a expectativa de que o governo irá marcar a data para votação no Plenário em breve explicam o otimismo. Ele diz que o mercado vê risco de haver demora nessa votação, mas que não trabalha com a hipótese de a reforma ser votada e não ser aprovada.


Essa expectativa positiva reforça, inclusive, a aposta de que o Banco Central acelere o ritmo de alívio monetário. "A inflação mais baixa, atividade ainda fraca e a perspectiva da reforma ser aprovada criam um sentimento de que tem espaço para acelerar, talvez até para 1,5 ponto", diz Portella.


Esse movimento será colocado à prova pela fala do presidente do BC, Ilan Goldfajn, hoje. Ilan vai fazer o encerramento do XIX Seminário de Metas para a Inflação, às 17 horas. Para muitos analistas, é o discurso de Ilan que autorizará ou não a expectativa de uma nova aceleração no ritmo de alívio monetário.


Dólar


Nesta sexta-feira, odólar retomou o movimento firme de queda, seguindo o comportamento da moeda no mercado internacional e respondendo também a um conjunto de notícias locais que melhoram as medidas de risco do país.Já na abertura, o real operava perto da estabilidade, enquanto outras divisas emergentes perdem terreno em relação ao dólar, num movimento de correção depois do rali de ontem.


Mas, depois da divulgação dos dados americanos, levemente mais fracos do que o esperado, o dólar perdeu força de forma generalizada, inclusive na comparação ao real, movimento que permanece até o início da tarde.


As vendas no varejo nos Estados Unidos subiam 0,40% em abril, ante projeções de 0,50%. O número não traz urgência para uma ação do Federal Reserve e, nesse sentido, interrompe os ganhos da moeda americana.


Outro termômetro da melhora da percepção de risco do Brasil é CDS de cinco anos, que caiu hoje a 202 pontos-base, três pontos abaixo do fechamento de ontem, segundo dados da Markit. Trata-se do menor patamar em pelo menos dois anos. O movimento ocorre a despeito de um leve ajuste observado no CDS de outros países emergentes. O papel da África do Sul opera em alta de três pontos para 196 pontos-base, enquanto o CDS do México tem custo de 118 pontos, ante 117 pontos ontem. E o CDS da Rússia sobe dois pontos para 155 pontos-base.


Às 13h57, o dólar comercial caía 0,82%, a R$ 3,1194, após tocar R$ 3,1192, mínima em quase três semanas.O dólar para junho cedia 0,65%, a R$ 3,136.

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