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Depois de interromper negócios, bolsa brasileira mantém forte queda

As ações de empresas brasileiras têm forte desvalorização, nesta quinta-feira, em consequência da grave denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) divulgada ontem à noite, a qual faz o país parecer instável e pouco confiável aos olhos dos investidores.


Ontem à noite, o jornal "O Globo" informou que Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, gravou conversa com Temer na qual o presidente avalizaria o pagamento de proprina ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso no âmbito da Operação Lava-Jato desde outubro.


O clima no mercado financeiro local é de preocupação com os rumos da economia agora que a crise política ameaça o andamento das reformas estruturais que são vistas como essenciais para tirar o país da recessão e garantir o seu crescimento sustentável no futuro. As mudanças na legislação trabalhista e no sistema de Previdência Social devem ser no mínimo adiadas, a expectativa de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) pudesse acelerar o corte de juros diminui bastante. De uma redução de 1,25 ponto percentual na reunião do final deste mês, a aposta majoritária passou a ser de 0,25 ponto percentual.


Para analistas, a forte queda da bolsa reflete o medo de aplicar em ativos de risco em um momento de total incerteza quanto aos rumos do governo e da economia. "No curto prazo, tudo pode acontecer: uma renúncia de Temer, sua deposição, mudança na Constituição para se realizar eleições diretas à Presidência", disse Roberto Indech, analista-chefe da corretora Rico. "Momentos como o atual pedem cautela até que seja possível vislumbrar algum horizonte."


Muitos investidores se desfazem, agora, de suas posições, com medo de baixas adicionais caso mais surpresas negativas sejam reveladas ou o desfecho da crise demore. Os valores dos papéis são ajustados, então, de acordo com essa percepção de risco.


Nesse clima de nervosismo, o Ibovespa recuava 8,99%, para 61.469 pontos, às 13h. Quando o índice atingiu 10,47% de baixa, aos 20 minutos de pregão, o sistema de limitação de perdas da bolsa - conhecido como "circuit breaker" - foi acionado, e as negociações ficaram suspensas por 30 minutos. A última vez em que o mecanismo disparou foi em outubro de 2008, em meio às turbulências globais que começaram com o colapso das hipotecas nos Estados Unidos.


A B3 (nome da empresa que resultou da união entre BM&FBovespa e Cetip) ampliou o limite de negociação do Ibovespa futuro dos atuais 10% para 15% para tentar evitar um segundo movimento de circuit break no mercado de ações. Para Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, essa estratégia é importante para evitar maiores quedas abruptas na bolsa.


De acordo com ele, a maioria dos investidores estava comprada em ações, apostando na retomada da economia e na aprovação das reformas estruturais. "A ruptura desse cenário praticamente não era considerada", diz. Ele espera que haja uma reprecificação geral dos ativos no mercado de ações. "O mercado foi pego de calça curta, esse sentimento de insegurança vai trazer mais volatilidade", diz.


As construtoras, que tinham subido bastante recentemente por conta do otimismo com as reformas e da perspectiva de redução dos juros, tinham as maiores baixas da bolsa hoje. O Índice Imobiliário da B3 (antiga BM&FBovespa) perdia 12,44% há pouco, na maior queda entre sete grupos setoriais.


Dentre as estatais, que simbolizam, em certa medida, o valor do país aos olhos do mercado, a Eletrobras PNB exibia o pior desempenho, recuando 19,54%, para R$ 15,88. A ação preferencial da Petrobras perdia 14,93%, para R$ 13,28, e o Banco do Brasil despencava 17,6%, para R$ 27,81.




CVM




A Comisão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia responsável por fiscalizar o funcionamento do mercado de capitais brasileiro, disse hoje em comunicado à imprensa que está monitorando o efeito das últimas notícias.


Fatos e desdobramentos da Operação Lava-Jato relacionados a companhias abertas ou outros participantes do mercado também vêm sendo analisados, segundo o documento, de acordo com os acordos de cooperação do órgão com o Ministério Público e a Polícia Federal.





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