CNC: Confiança do comerciante sobe, mas crise política pode atrapalhar

Inflação menos pressionada e juros mais baixos elevaram a confiança dos varejistas em maio. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), subiu 2,7% em maio na comparação com abril, e aumentou 30% em relação a igual mês do ano passado, para 103 pontos. A variação positiva na comparação com mesmo mês do ano anterior é a maior da série, iniciada em março de 2011, segundo a entidade.


O indicador de maio foi calculado com base em entrevistas nos últimos dez dias de abril - ou seja, antes da piora do cenário político, após as denúncias contra o presidente Michel Temer, que surgiram na quarta-feira (17). Com isso, a economista da CNC Izis Ferreira não descartou a possibilidade de reversão no resultado do indicador em junho.


Segundo a pesquisa da CNC, diminuiu a parcela de consultados que informaram estoques acima do desejado, de 31,6% em abril para 29,9% em maio. No mesmo período do ano passado, essa fatia era de 33,8%.


Dos três tópicos usados para cálculo do indicador de maio, todos subiram, tanto na comparação com abril quanto na comparação com maio do ano passado. É o caso de condições atuais, com aumentos respectivos de 7% e de 74,8%; expectativas, com altas de 1,8% e de 22%; e de investimentos, com elevações de 2,3% e de 18,6%.


Mas, o mês de junho pode trazer resultados menos otimistas para estas respostas, avalia Izis. "Essas taxas não capturam os últimos acontecimentos do cenário político. É bastante possível que o resultado de junho mostre o impacto dessas últimas notícias", avaliou ela.


Na análise da especialista, o cenário político turbulento afeta o andamento das reformas e esfria o otimismo dos comerciantes, não somente com o setor, mas com a atividade da economia. Pode afetar, também, a intenção de investimentos e de contratações no comércio varejista.


Mas apesar de ainda persistirem algumas incertezas, na análise da CNC, o volume de vendas do comércio restrito em 2017 deve aumentar 1,5% neste ano. As vendas do no varejo restrito, apuradas pelo IBGE, tiveram recuo de 1,9% em março ante fevereiro; e queda de 4% na comparação com março do ano passado No ano passado, as vendas do varejo restrito caíram 6,2% na comparação com 2015.


Assim, na análise de Izis, até maio, os últimos resultados do Icec mostravam que os comerciantes começavam a enxergar sinais de retomada lenta e gradual das vendas, que poderia se consolidar na segunda metade de 2017.

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