FHC diz que abandonar Temer logo após denúncias "seria oportunismo"

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) afirmou em entrevista na madrugada desta segunda-feira que a primeira reação de seu partido às denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB), foi a de sair do governo de Michel Temer, mas disse considerar que essa atitude seria oportunista.


"O PSDB, num primeiro momento, achou que tinha que desembarcar, como se ele não tivesse nada a ver com o governo. Ele tem. Eu acho que seria oportunismo sair correndo", disse o líder tucano em entrevista para o programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes. "O PSDB tem responsabilidade. Não cabia dar uma punhalada nas costas do presidente naquele momento, porque não estava nada claro."


Temer será investigado por corrupção, obstrução de justiça e formação de organização criminosa. Para Fernando Henrique, o partido não deve nem fazer julgamento precipitado, nem ficar irredutível em sua posição. Ou seja, se necessário, o PSDB pode rever o apoio ao Planalto. "Se ficar evidenciado que ele [Temer] não tem uma defesa aceitável, ele tem obrigação moral de renunciar, para abrir espaço para construir um futuro."


Fernando Henrique avaliou como "difícil" que Temer consiga manter aliados no Congresso, diante das denúncias. E, admitiu, presidente que perde a base, "cai". "As bases parlamentares no Brasil são instáveis. Você não tem uma base, você constrói base para um projeto. Vai ser difícil para o presidente Temer recompor."


Anomia


Para o ex-presidente, o Brasil passa por um momento de "anomia". "É a falta de sentido de organização e autoridade, em toda a parte", disse, explicando que falava em "sociologuês".


Fernando Henrique ressaltou que as investigações de autoridades em curso no país não são "uma coisa banal". "Tem uma coisa atrás da outra, atrás da outra", afirmou. "Tá faltando ordem na casa. Tem que botar ordem na casa, o resto vem depois. Depois, [tem que] ver qual é o rumo."


Sobre as acusações contra Temer, evidenciadas em gravações de conversas mantidas com o empresário Joesley Batista, o tucano disse que "as transcrições [dos áudios] não são taxativas. A situação é embaraçosa".


Questionado sobre o que faria se estivesse na situação do atual presidente, respondeu: "Estaria pensando bem: 'Será que eu tenho condições de governar?' Nós precisamos de governo. Eu sou um ser reflexivo, não sou de impulsos, mas a reflexão não pode durar muito. As coisas vão se mover com muita rapidez."

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