CNC: Parcela de famílias inadimplentes em maio foi a maior em 8 meses

A inadimplência das famílias endividadas piorou em maio, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A parcela de famílias endividadas que declararam estar com débitos em atraso no mês foi a maior em oito meses, informou Marianne Hanson, economista da CNC. Para ela, o endividamento ainda muito elevado levou à piora da inadimplência.


Para os próximos meses, o cenário é de incerteza porque não se sabe quais serão os impactos, na economia real, da piora da crise política, devido à divulgação em 17 de maio da delação do empresário da JBS, Joesley Batista, que levantou suspeitas contrao presidente Michel Temer. Ao mesmo tempo, a especialista comentou que o saque do FGTS inativo pode ter contribuído para melhora nos indicadores de endividamento; mas aparentemente não teve efeito nos indicadores de inadimplência, notou ela.


Os dados citados por Marianne constam da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) anunciada hoje pela confederação. No levantamento, feito a partir de entrevistas com 18.000 consumidores em todo o país, 57,6% dos entrevistados afirmaram estar endividados em maio. A fatia é menor do que a de abril, de 58,9%; e a de 58,7%, em maio do ano passado.


Do total de endividados, 24,2% informaram estar com débitos em atraso em maio. Além de ser maior do que o de abril (24,1%); e em maio do ano passado (23,7%), foi o mais elevado para este tópico desde setembro de 2016 (24,6%). Nesta classificação, 9,5% informaram não ter condições de quitar suas dívidas. Embora este percentual seja menor do que o de abril (9,7%) é superior ao de maio do ano passado (9%). "As famílias já estão com patamar de endividamento muito elevado. E têm que lidar com fatores como custo de crédito alto", observou.


Ela comentou que houve um alívio no percentual de renda média mensal comprometida com dívidas das famílias, que ficou em 29,9% em maio, contra 30,2% em abril, e 30,8% em maio do ano passado. "É um dado positivo. Mas mesmo assim as famílias com dívidas estão com dificuldade de apresentar suas contas em dia", disse. "Precisamos observar se continua esta queda na parcela média de renda comprometida com débitos nos próximos meses", avaliou.


A especialista observou que há perspectivas positivas para os próximos meses, como continuidade de saque de FGTS inativo e o fim do período "sazonal" de maior pagamento de impostos e correções de mensalidades escolares, que sempre ocorre no início do ano. Mas informou que a coleta de dados da pesquisa foi feita um pouco antes da piora da crise política em 17 de maio. Ou seja, ainda não há clareza de qual seria a real influência do atual cenário de turbulência ?política na economia real, com impacto nas finanças das famílias, notou ela.

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