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Dólar reverte queda após testar nível de R$ 3,21; bolsa tem leve alta

O dólar zera a queda no início da tarde desta quinta-feira (1º), após testar o nível de R$ 3,21. Operadores apontam que, a despeito da ambiente de incerteza política, existe a busca de novo suporte no mercado, após o dólar cair abaixo do intervalo de R$ 3,25 e R$ 3,30. Os novos patamares, entretanto, ainda não se consolidaram e, por isso, acabam ficando mais vulneráveis a reversões.


"Como esperado, o rompimento da região de 3,25 permite queda maior do dólar, porém o espaço de queda abaixo de 3,20 é pequeno", diz o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior. O especialista destaca que a agenda doméstica e externa podem trazer instabilidade para o câmbio.


No exterior, a sexta-feira vai contar a divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos, que serve de termômetro para a política monetária do Federal Reserve.


No Brasil, segue a expectativa para próxima semana com o início da votação do processo de cassação da chapa Dilma/Temer no TSE, sob possibilidade de pedido de vistas e adiamento do processo, e a votação da reforma trabalhista na CAE do Senado.


Por volta das 13h40, o dólar comercial opera em alta de 0,22%, cotado a R$ 3,2435, após recuar até a mínima de R$ 3,2152 mais cedo.O contrato futuro para julho, por sua vez, avança 0,55%, a R$ 3,2675.


Juros


O mercado de renda fixa se ajusta a uma postura de cautela do Copom em relação à trajetória de queda da Selic. A percepção entre os agentes financeiros é de que hoje são percebidos mais riscos para o ciclo de flexibilização monetária. No entanto, as apostas para a taxa terminal sofreram poucas alterações, indicando que, por ora, houve pouco impacto no espaço de corte da Selic.


Por volta das 13h40, o DI janeiro/2018 sobe a 9,370%, ante 9,250% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 avança a 9,480%, ante 9,300% na mesma base de comparação.


Já o DI janeiro/2021 marca a 10,440%, ante 10,300% no ajuste anterior.


Os ajustes decorrem dos sinais deixados ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O principal fator de risco no cenário, apontado pelo Copom, é "o aumento de incerteza sobre a velocidade do processo de reformas e ajustes na economia". Com isso, ficaria mais difícil "a queda mais célere das estimativas da taxa de juros estrutural e as torna mais incertas".


Diante do ambiente de incertezas, levará mais tempo para o BC reduzir a taxa básica de juros para seu destino final, na avaliação do economista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Marcelo Carvalho. "Esperamos agora que a taxa de política monetária encerre 2017 em 8%, antes de finalmente cair para 7% no ano que vem", diz o especialista.


As novas projeções de inflação do Banco Central também são vistas como sinais de cautela da autoridade monetária. No cenário de mercado, o IPCA esperado para 2017 caiu para 4% e aumentou para cerca de 4,6% no ano seguinte, levando em conta o cenário de juros em 8,5% ao fim de 2017 e permanecendo neste patamar até o final de 2018.


O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, aponta que a taxa básica de juros deve recuar para 8% até o final do ano, "embora as projeções de inflação discutidas no comunicado da reunião apontem para uma taxa terminal ligeiramente superior em 2017".


O colegiado anunciou ontem corte de 1 ponto percentual da Selic, a 10,25% ao ano, como já era esperado pelo mercado. Em seu comunicado, o BC indicou que uma "redução moderada" no ritmo de flexibilização "deve se mostrar adequada em sua próxima reunião", que acontece nos dias 25 e 26 de julho. A leitura no mercado é de que o colegiado deve optar por um corte de 0,75 ponto no próximo encontro.


Bolsa


Apesar dos alertas vindos de várias frentes sobre o potencial de instabilidade que a crise política ainda pode gerar no país, a bolsa brasileira tem leve alta nesta quinta-feira, com a confirmação de que o Brasil saiu da recessão no primeiro trimestre deste ano.


O Produto Interno Bruto cresceu 1% nos três primeiros meses de 2017 ante o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da primeira elevação desde o quarto trimestre de 2014. A estimativa média de 20 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data era de um avanço de 0,9%.


Às 13h40, o Ibovespa subia 0,46%, para 63.000 pontos.


As maiores altas do horário eram BBSeguridade ON (3,26%), Cosan ON (3,22%), Localiza ON (2,81%), Ultrapar ON (2,59%) e Suzano PNA (2,48%).


Porém, se os indicadores econômicos do primeiro trimestre proporcionam algum alento aos investidores, olhando para frente o cenário segue desanimador. A grande preocupação dos investidores neste momento é que a incipiente retomada do início do ano seja prejudicada pelas novas turbulências enfrentadas pelo governo Michel Temer (PMDB), ainda ameaçado pelas investigações da Operação Lava-Jato.


A agência de classificação de risco Moody's ontem mudou a perspectiva da nota de 19 bancos locais e da B3(novo nome da BM&FBovespa) de neutra para negativa, seguindo a revisão da perspectiva da nota de crédito do país, na semana passada. Essas alterações, segundo a Moody's, refletem o aumento do risco para a recuperação da economia representado pelo aumento das incertezas quanto à aprovação das reformas estruturais que são vistas como fundamentais para garantir o crescimento sustentável do país no futuro.


Entre as maiores quedas do horário, estavam: Bradespar PN (-3,71%), Eletrobras ON (-2,11%), Eletrobras PNB (-2,03%), Marfrig ON (-1,75%) e TIM ON (-1,61%).

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