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Mercado se divide entre política e otimismo; dólar cai pouco

O mercado de ações brasileiro não apresenta tendência firme nesta sexta-feira, dividido entre enquanto a preocupação com a crise política e o otimismo sobre a retomada da economia depois da divulgação de dados sobre o setor manufatureiro.


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que a produção industrial do país cresceu 0,60% em abril ante março, o melhor resultado para este mês desde 2013. Embora reforce a percepção de que o Brasil está engatinhando para fora da recessão, o número não é suficiente para fomentar grande otimismo, considerando que as incertezas que rondam as instituições nacionais, com o presidente Michel Temer ameaçado de deposição, limitam a confiança de investidores, consumidores e empresários.


O principal índice da bolsa de valores brasileira subia 0,59%, para 62.657 pontos, às 13h15. Na mínima do dia até o momento, o Ibovespa já chegou a cair 0,20%.


O Índice Imobiliário, que reúne construtoras e administradoras de shopping centers, subia 1,08%, na maior alta entre sete grupos setoriais.


A bolsa local também se beneficia, hoje, de notícias do exterior.


O Departmento do Trabalho dos Estados Unidos informou hoje que a criação de vagas de emprego no país foi de 138 mil em maio, enquanto a expectativa era de uma abertura de 184 mil postos. O ganho salarial médio foi de 0,15%, abaixo dos 0,20% projetados. Tais dados alimentam as expectativas de que as taxas de juros na maior economia do mundo sejam elevadas em um ritmo parcimonioso; assim, países que oferecem a possibilidade de retornos mais elevados, como o Brasil, devem continuar recebendo um alto fluxo de investimentos estrangeiros.


Dólar


O dólar reduz a queda ante o real no início da tarde desta sexta-feira. Os números mais fracos que o esperado do mercado de trabalho dos Estados Unidos pesaram na moeda americana e contribuíram para as moedas emergentes. No entanto, o movimento foi contrabalançado pela acentuada baixa nos preços de petróleo e, no mercado doméstico, pela cautela política.


As atenções por aqui se voltam para eventos de risco na semana que vem. Entre os principais está o início do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esperado para o dia 6. Está prevista ainda para o começo da semana que vem a votação da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado


"O cenário político está fazendo sombra no mercado de câmbio. O exterior ajudou nos ajustes logo cedo, mas depois as compras ficaram mais atrativas", diz o operador de uma corretora paulista. "O mercado está travado, testa alguns níveis, mas não tem força para se manter numa direção só", acrescenta.


Às 13h15, o dólar comercial caia 0,20%, a R$ 3,2395, já com alguma distância ante a mínima de R$ 3,2212.O contrato futuro para julho, por sua vez, recua 0,38%, a R$ 3,2610.


Lá fora, as pressões para os emergentes são mistas. O relatório de empregos dos Estados Unidos mostrou que a criação de vagas no país em maio foi bem menor que o esperado, diminuindo a possibilidade de um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos. A leitura é de que a economia local ainda suporta aumento de juros em junho, como é quase consenso entre os agentes financeiros, mas o ritmo adotado deve ser de gradualismo.


Foi logo após a divulgação do documento que o dólar recuou às mínimas. No entanto, ao longo da manhã, a moeda foi recuperando parte das perdas enquanto os contratos futuros de petróleo seguiam em baixa firme. A commodity é pressionada pela preocupação de que a produção nos EUA aumentará com a decisão do presidente Donald Trump de retirar o país do Acordo de Paris.


Juros


Os juros futuros revertem a queda no início da tarde desta sexta-feira. O ambiente externo segue pouco mais favorável aos ativos de emergentes após sinais de fraqueza no mercado de trabalho dos Estados Unidos. No entanto, a cautela com os eventos de riscos ao longo da semana que vem inibem os ajustes nas taxas e mantém o prêmio ao longo da curva.


O DI janeiro/2021 registrava ligeira queda a 10,450%, ante o valor de 10,470% no ajuste anterior. Sensível a riscos estruturais da economia e a movimentação no exterior, o ativo chegou a cair até 10,400% na mínima do dia.


Entre os vértices intermediários, o DI janeiro/2018 operava estável a 9,385%, ante o ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 estava em 9,490%, ante 9,510% na mesma base de comparação.

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