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Dólar ronda R$ 3,29 em meio a incertezas políticas

O clima de expectativa antes do início do julgamento no TSE que definirá o futuro do governo Michel Temer turbinou a demanda por dólares no Brasil nesta segunda-feira, levando a moeda à maior alta desde a caótica sessão do dia 18 de maio.


No fechamento, o dólar comercial avançou 1,03%, a R$ 3,2874. É a alta mais forte desde o salto de 8,06% do dia 18 - a mais intensa desde 1999.


Na noite do dia 17, com os mercados já fechados, a imprensa publicou que Michel Temer havia sido gravado em conversas supostamente comprometedoras com o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F. A notícia colocou em xeque a governabilidade do pemedebista, deflagrando uma onda de aversão a risco na abertura dos negócios no dia 18, devido aos riscos sobre a agenda de reformas do governo.


O imbróglio político terá um novo capítulo a partir de amanhã, com o início do julgamento no TSE que pode cassar a chapa Dilma/Temer, vencedora das eleições presidenciais de 2014. Após o estouro da crise política, em meados de maio, o mercado passou a discutir que uma resolução do TSE contrária a Temer poderia ser a forma mais rápida e menos conturbada dele deixar o posto.


À época, isso era visto como um meio de reabrir o caminho para aprovação da reforma da Previdência, sobretudo. Mas a resistência de Temer nas semanas seguintes e um aparente andamento dos projetos no Congresso alimentaram avaliações de que o governo ainda poderia obter a aprovação das medidas.


De toda forma, o que mais incomoda o mercado hoje é a sensação de que o imbróglio político pode persistir, atrasando mais as reformas. O embate político pode se arrastar caso ministros do TSE peçam vistas do processo, o que obrigaria a remarcação do julgamento.


No que será visto como outro teste à força do governo, a terça-feira conta ainda com a possibilidade de o texto da reforma trabalhista ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado Federal, após acordo firmado na semana passada entre senadores da base e da oposição.


O câmbio vinha se comportado de forma relativamente tranquila desde a semana que se seguiu ao estouro do novo capítulo da crise política. A moeda americana tem oscilado a maior parte do tempo entre R$ 3,25 e R$ 3,30. Na semana passada, porém, aproximou-se do patamar de R$ 3,20, movimento que acabou atraindo compras.


No mercado, comenta-se que os fluxos que sustentaram a recuperação do real e da renda fixa nos últimos dez dias de maio diminuíram. "Com menos fluxo, o mercado 'volta à realidade'", diz um profissional.


O operador de câmbio de uma grande instituição, porém, relata não ter notado grandes volumes de saída de capital nesta segunda. Segundo ele, a taxa do casado - uma espécie de cupom cambial de curtíssimo prazo e visto como um termômetro de fluxo spot - está em 1,30% ao ano nesta sessão, pouco diferente dos patamares de sexta-feira.


O mercado espera ainda que o Banco Central sinalize rolagem do vencimento julho de swaps cambiais, que totaliza US$ 6,939 bilhões.

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