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Incerteza política faz dólar subir e deixa bolsa instável

A sensibilidade do câmbio ao cenário político volta a dar sinais claros nesta segunda-feira (5). Faltando um dia para início do julgamento da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o dólar avança ao ritmo mais acentuado em duas semanas.


A alta só não é maior que os picos observados nas primeiras sessões após o estouro da crise política trazida pelas delações premiadas de executivos da JBS.


Por volta das 13h50, a divisa americana avançou ao nível de R$ 3,2878 (+1,04%). Com isso, a moeda volta a operar na parte superior do intervalo de R$ 3,25 a R$ 3,30, que vinha prevalecendo no mercado nas últimas semanas.


As atenções se voltam para a sessão do TSE que avaliará irregularidades da chapa Dilma-Temer. O julgamento deve ter início amanhã (6) e a expectativa é de conclusão na quinta-feira (8). Até o fim da semana passada, trabalhava-se no Palácio do Planalto com um placar favorável de 4 a 3 no TSE. Na pior hipótese, acreditava-se em pedido de vista.


No entanto, a pressão sobre o TSE parece ter aumentado com a prisão no sábado (3) do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que é investigado junto com Temer após as delações da JBS.


A decisão do TSE é importante não só do ponto de vista jurídico, mas também em termos de apoio político. Um posicionamento desfavorável a Temer na Corte ainda é cabível de recurso. Por outro lado, é visto como um termômetro fundamental para a decisão de partidos da base aliada, principalmente o PSDB, em permanecer ou retirar o suporte ao governo.


Enquanto buscam proteção contra tamanha incerteza, os agentes financeiros ainda discutem, sem consenso aparente, sobre o caminho mais benéfico para a retomada da agenda de reformas. "O mercado está trabalhando sem grande referência e, nessa hora, é melhor se proteger", diz o executivo de uma gestora em São Paulo.


A leitura, por ora, é de que o dólar não deve ter uma grande disparada. Há percepção entre alguns agentes financeiros de que existe a possibilidade de avanço das propostas reformistas, seja com a retomada do apoio político a Temer ou sob uma nova administração. Fundamentos econômicos como os números mais sólidos da balança de pagamentos, assim como a capacidade do Banco Central em conter a volatilidade, também são frequentemente citados para a trajetória controlada do câmbio.


A consultoria Eurasia aponta que as condições de mercado "surpreendentemente benignas" e os protestos de rua "relativamente modestos" trazem alguma trégua a Temer. Logo as chances do peemedebista terminar seu mandato passaram de 30% para 40%. Por outro lado, se Temer sobrevive no cargo, o caminho para entregar a reforma da Previdência se torna mais difícil por causa dos riscos à governabilidade. Agora, as chances de aprovação da proposta é de apenas em pouco mais de 50%.


Amanhã, está prevista a votação da proposta de novas regras para o sistema trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que pode ser outro teste para ímpeto reformista dentro do Congresso.


O contrato futuro para julho, por sua vez, subia 1,19%, a R$ 3,3065.


Juros


A cena política também traz aumento da cautela ao mercado de renda fixa nesta segunda-feira. As taxas de juros futuros avançam de forma um pouco mais consistente em vértices de médio e longo prazo.


O mercado vem se ajustando à leitura de um Copom mais cauteloso e adiciona assim prêmio ao longo da curva. No comunicado que acompanhou sua decisão, na semana passada, o colegiado alertou para o ambiente de riscos ao andamento da reformas e, consequentemente, à política monetária.


A probabilidade majoritária no mercado é de uma redução de 0,50 ponto percentual da taxa na próxima reunião do Copom, apesar da estimativa entre grandes instituições de que o corte será de 0,75 ponto. Para o operador de uma corretora paulista, o mercado prefere adotar uma postura mais conservadora agora, uma vez que o intervalo até o encontro do Copom será repleto de eventos de risco. Ao mesmo tempo, "não se espera no curto prazo uma grande resolução para aliviar o cenário".


Elementos adicionais para a discussão sobre política monetária devem vir amanhã com a divulgação da ata do último encontro do colegiado, quando a taxa caiu em 1 ponto para 10,25% ao ano. Além disso, na sexta-feira (9), será conhecido o IPCA de maio.


Por volta das 13h40, o DI janeiro/2018 subia a 9,440%, ante 9,405% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 avançava a 9,610%, ante 9,550% na mesma base de comparação.


No horário acima, o DI janeiro/2021 subia a 10,620%, ante 10,560% no ajuste anterior. Na máxima, a taxa chegou a 10,650%, amparada ainda pelo movimento do câmbio.


Bolsa


O mercado de ações brasileiro não apresenta tendência definida nesta segunda-feira de cautela com o cenário político.


Mais importante do que saber se Temer conseguirá se manter no cargo até a próxima eleição, no final do ano que vem, é analisar como os desdobramentos da crise institucional vivida pelo país afetarão o andamento das reformas que são tidas como essenciais para o crescimento sustentável da economia no futuro. Esse é o foco das atenções.


O Ibovespa recuava 0,14%, para 62.420 pontos, às 13h45, já tendo subido 0,46% na máxima do dia até o momento.


O pior desempenho é da Estácio, que despencava 5,50%, para R$ 16,16, com o reaquecimento dos rumores de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vai adiar para o final do mês o julgamento da fusão da universidade com a Kroton. Essa última também está no time das cinco maiores desvalorizações do Ibovespa no horário: queda de 3,05%.


As outras maiores perdas são Cosan ON (3,42%), Copel PNB (-3,41%) e Cyrela ON (-2,31%).


Já entre as maiores altas do Ibovespa no horário estão Braskem PNA (3,59%), Santander Unit (2,96%), Suzano PNA (2,85%), Smiles ON (2,19%) e Fibria ON (1,92%).


No caso dascompanhias de papel e celulose Fibria e Suzano, que exportam a maior parte da sua produção, a alta é explicada pelaelevação da moeda americana.

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