Ibovespa fecha em alta, mas mantém cautela com incertezas políticas

O Ibovespa ganhou fôlego na última hora de pregão. Depois de passar o dia todo com leve alta, o índice encerrou o dia com ganho de 0,81% aos 62.955 pontos e giro financeiro de R$ 5,4 bilhões.


De acordo com operadores, o movimento de valorização na última hora foi detonado pelo aumento de ordens de compra das corretoras Merrill Lynch e Morgan Stanley. As ações que tiveram as maiores demandas foram as do sistema financeiro, da Vale e da Petrobras.


Mesmo fechando em alta, o dia foi de cautela com os investidores aguardando a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a cassação da chapa Dilma-Temer, que pode culminar com a saída do presidente Michel Temer do cargo. A previsão é de que a votação comece hoje, às 19h, e seja encerrada na quinta-feira. Até lá, os investidores devem manter a prudência nos negócios.


Não há consenso entre os investidores sobre qual seria a melhor decisão do TSE. Há duas semanas havia concordância de que a melhor alternativa para o país seria a saída do presidente do cargo. Hoje há quem ache que a saída de Temer da presidência poderia permitir que um novo governo aprovasse as reformas estruturais e o país voltasse a crescer.


Mas há outros investidores que consideram que o presidente poderia ficar no cargo, aprovar uma reforma da Previdência Social possível neste momento, e concluir o mandato. O novo presidente eleito em 2018, então, faria novas reformas estruturais.


Se o TSE não cassar a chapa Dilma-Temer, o presidente teria condições de aprovar cerca de 40% da reforma previdenciária prevista inicialmente. "Apenas a manutenção da idade mínima e a transição para o benefício garantiriam esse ajuste", diz um operador.


As incertezas em relação a aprovação das reformas estruturais e a continuidade do presidente no cargo têm aumentado a cautela dos investidores. A moderação pode ser percebida no índice que mede a volatilidade das ações brasileiras, CBOE Brazil ETF Volatility, que caiu 3,68% para 36,13 pontos. Foi o menor patamar registrado neste ano e o mais baixo desde 15 de dezembro de 2016, quando o índice marcou 35,92 pontos. O índice mede a volatilidade implícita do iShares MSCI Brazil Capped ETF, composto por ações de empresas brasileiras.


De acordo com Raphael Figueredo, analista da Clear corretora, desde o início da crise política os preços oscilaram, mas voltaram para próximos do patamar registrado na quinta-feira fatídica. "A volatilidade durante esse período vem diminuindo, o que é um sinal de redução da exposição dos players no mercado. É um período de pouca atuação e mais observação", diz.


Entre as ações mais negociadas, a maior alta do dia ficou com a JBS, que subiu 8,37% depois de a empresa vender as suas unidades de carne bovina na Argentina, no Uruguai e no Paraguai para a Minerva. As ações da Minerva subiram 4,88%. As ações da Marfrig também subiram contaminadas pelo bom humor no setor e tiveram alta de 3,92%. Os papéis da BRF ganharam 0,98%.


Entre as ações que compõem o sistema financeiro, a maior alta do dia ficou com os papéis do Banco do Brasil que dispararam 3,66%, as ações ordinárias do Bradesco ganharam 0,94% e as preferenciais tiveram alta de 1,34%. As ações do Itaú Unibanco subiram 1,61% e os papéis do Santander tiveram alta de 0,31%.


As ações da Petrobras, que chegaram a cair durante o pregão, inverteram a tendência na última hora do dia. As ações ordinárias subiram 0,07% e as preferenciais fecharam estáveis a R$ 13,18. De acordo com os analistas Luiz Carvalho e Julia Ozenda, do UBS, em relatório distribuído a clientes a Petrobras deve continuar entregando bons resultados operacionais nos próximos trimestres, mas o ambiente para a estatal está mais desafiador e com maiores riscos em função do atual cenário político no Brasil.


As ações PNA da Vale subiram 0,20% e as ordinárias tiveram alta de 0,34%. O preço do minério de ferro fechou com leve alta de 0,2% em Qingdao, na China, a US$ 56,03 a tonelada.


Na ponta oposta, as maiores quedas do dia estavam com os papéis das empresas de celulose. Os papéis da Fibria recuaram 2,01%, as ações da Suzano Papel e Celulose tiveram queda de 2,45% e as ações da Klabin caíram 1,69%.


As ações do setor de celulose caíram na esteira do primeiro recuo nos preços da celulose de fibra curta na China nas últimas 30 semanas e do dólar, que fechou em baixa de 0,31% a R$ 3,27.


Em relatório divulgado hoje, a consultoria Foex indicou que o preço da celulose de fibra curta negociada na China caiu US$ 0,80 por tonelada (ou 0,12%), para US$ 644,40 a tonelada. Por outro lado, na Europa, a alta foi de US$ 20,20 por tonelada, ou 2,54%, na vigésima primeira semana consecutiva de valorização.

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