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Poupança tem captação líquida pela primeira vez no ano em maio

A caderneta de poupança teve em maio o primeiro mês do ano com captação líquida de recursos. De acordo com o Banco Central (BC), os ingressos líquidos somaram R$ 292,595 milhões, após uma perda de R$ 1,270 bilhão em abril.


Mesmo com volume pouco expressivo, esse é o melhor resultado para meses de maio desde 2014, quando R$ 2,270 bilhões foram captados. Em maio do ano passado, os saques superaram os depósitos em R$ 6,591 bilhões.


No ano, a saída líquida é de R$ 18,380 bilhões ? abaixo do resgate líquido de R$ 38,888 bilhões nos cinco primeiros meses do ano passado.


No intervalo de 12 meses até maio, os saques são de R$ 20,193 bilhões, recuando dos R$ 27,078 bilhões no acumulado de um ano até abril.


O resultado de maio foi definido no último dia útil do mês, que mostrou captação de R$ 3,181 bilhões. Até o dia 30, as saídas líquidas somavam R$ 2,888 bilhões. Por isso, parece cedo para atestar uma mudança de tendência.


Em 2016, a poupança encerrou com saque de R$ 40,701 bilhões, vindo de uma perda líquida de R$ 53,567 bilhões no ano anterior. A poupança captou R$ 24,034 bilhões em 2014, após o recorde de R$ 71,047 bilhões de 2013.


O desempenho continua sendo afetado pelo menor crescimento da renda do trabalhador e pelo aumento do desemprego. A taxa Selic, que agora está em 10,25% ao ano, começa a deixar de ser um vetor que tira atratividade da poupança. Alguns investimentos em renda fixa, a depender de taxas cobradas e tributação, já ficam menos atrativos que o rendimento oferecido pela caderneta, que conta com isenção de imposto de renda.


Os números também parecem captar alguma influência da liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Já foram entregues aos trabalhadores mais de R$ 20 bilhões dessas contas desde março. Agora em junho, mais R$ 11 bilhões poderão ser sacados.


A captação líquida do mês se soma ao rendimento de R$ 3,303 bilhões, elevando o patrimônio total da poupança de R$ 661,912 bilhões em abril para R$ 665,507 bilhões no mês passado -o maior da série iniciada em 1995 em termos nominais.


Com isso, a poupança passa a registrar aumento de patrimônio de R$ 515,567 milhões em 2017. No ano passado, o patrimônio aumentou em R$ 8,4 bilhões, após ter caído R$ 6,137 bilhões em 2015.


Em maio, os bancos que aplicam recursos da caderneta em crédito imobiliário (SBPE) mostraram captação líquida de R$ 172,570 milhões. As instituições que destinam os recursos para o crédito rural (SBPR) registram entrada líquida de R$ 120,026 milhões.


A poupança é o principal instrumento para o financiamento do crédito imobiliário. Desde 2015, Banco Central e governo adotaram medidas para assegurar recursos ao segmento, como a alteração nas regras de depósitos compulsórios e o uso do FGTS para compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).


A última ação nesse sentido foi tomada no fim de abril, com o início das tratativas para regulamentar a Letra Imobiliária Garantida (LIG). O assunto ficou em audiência pública até o fim de maio e a expectativa é que até o encerramento do semestre o novo instrumento de funding para o setor já esteja funcionando.


Desde o fim de agosto de 2013, a poupança voltou a ser remunerada pela "fórmula antiga" de 0,5% ao mês mais TR. Pela regra atual, se a Selic voltar abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento será equivalente a 70% da taxa básica de juros. Por ora, o mercado trabalha com Selic de 8,5% no fim de 2017.

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